O retorno triunfal de Deadpool

A nova oportunidade para o herói mais desbocado e debochado da Marvel: Deadpool é um dos maiores acertos no universo dos heróis.

Você deve ser um X-men, Deadpool. Precisa falar com o Professor Xavier.” Colossus

Qual Deles? O James McAvoy ou Patrick Stewart?” Deadpool

Pôster Deadpool

A primeira vez que esse herói surgiu nas telas do cinema, foi em 2009, no péssimo Wolverine — Imortal. A ideia inicial da Fox era fazer vários filmes que mostrassem as origens dos X-Men, porém com a péssima recepção do público e da crítica, os projetos logo foram colocados de lado, depois de um tempo abandonados. Porém, os fãs do personagem que aguardavam para vê-lo representado nas telas, acabaram se decepcionando da maneira que ele foi representado no longa e isso acabou enfurecendo boa parte do público que havia ido no cinema assistir ao longa. Se por um lado X-Men Origens: Wolverine é considerado um dos piores filmes de super-heróis ao lado de Demolidor, Motoqueiro Fantasma, O Justiceiro e Lanterna Verde, hoje temos a oportunidade de finalmente ver um filme desse antiheroi debochado pra caramba e poder dizer que sim, Deadpool é um grande acerto no mundo dos quadrinhos adaptados pro cinema.

A trama do longa acompanha o ex-militar e mercenário, Wade Wilson (Ryan Reynolds) que é diagnosticado com câncer em estado terminal, porém encontra uma possibilidade de cura em uma sinistra experiência científica. Recuperado, com poderes e um incomum senso de humor, ele torna-se Deadpool e busca vingança contra o homem que destruiu sua vida.

O estreante Tim Miller foi o escolhido para comandar a ação debochada e podemos dizer que para um novato, ele se saiu muito bem. Miller consegue segurar a atenção do espectador do começo ao fim, além do destaque por criar cena de ação e de luta, que são realmente incríveis.

O roteiro desenvolvido por Rhet Reese e Paul Wernick foge daquela fórmula que estamos acostumados a encontrar na maior parte dos longas adaptados de uma HQ, principalmente quando se trata da estreia de um herói nas telas do cinema.

Para termos uma ideia, a abertura do longa é a cena mais explorada pelo trailer do filme: a perseguição na rodovia. Porém ali já sabemos o que será apresentado no decorrer da trama: muita linguagem vulgar, piadas cretinas, uma zoeira sem limites, sexo e claro, muita, mas muita violência. Ou seja, o roteiro é mais do que fiel a origem de seu personagem.

Passado a cena de abertura, o longa caminha para uma narrativa não linear e acaba inserindo diversos flashbacks para apresentar a história do nosso personagem. Conhecemos primeiramente o romance que ele tem com a personagem Vanessa, que rende uma hilária sequência. Um destaque é que, diferente de outros personagens, aqui não temos aquela fórmula de humano/alterego, como acontece em Batman, Superman e Homem Aranha.

deadpool

Sabemos que Wade é o Deadpool antes mesmo dele vestir o uniforme do personagem e um destaque aqui fica para o Ryan Reynolds, que incorpora o personagem tanto com e sem o uniforme. O ator sabe que o seu personagem precisa muito de sua expressão corporal e as mudanças que ele faz com a voz, é simplesmente genial. Um dos grandes acertos do filme são os efeitos especiais que animam os olhos e o cenho do personagem quando ele se torna Deadpool. O diretor dessa maneira consegue brincar com os olhares irônicos, surpresos, apaixonados e impacientes que marcam a comédia tão presente no longa.

O roteiro ainda brinca no flashback ao tentar trazer um lado dramático para o longa, no momento em que Wade descobre que está com câncer terminal e tem pouco tempo de vida. Porém, isso serve apenas de um pretexto para que ele possa tornar-se um mutante. É aí que entram os nossos antagonistas, os grandes vilões do filme: Ajax e Angel Dust. Mas, como nada são flores, Deadpool sofre com a maldição da Marvel em sempre querer apresentar um vilão que é praticamente descartável e superficial, é aqui não é diferente.

Existem dois arcos que guiam o filme inteiro, porém um terceiro é apresentado e aí que surge duas participações que somam no time. A presença de Colossus (até que enfim entenderam e colocaram o sotaque russo no personagem) e a Negasonic Teenage Warhead, que tentam a todo custo trazer o nosso “herói” para o time dos X-Men. Os outros dois arcos são, digamos, pouco inspiradores, sendo que o primeiro mostra Wade tentando se apresentar para Vanessa depois da deformação de seu rosto e o outro acompanha a batalha de egos entre o nosso personagem e o vilão Ajax, que resultam em piadas um tanto quanto cretinas sobre o nome do personagem. Um ponto negativo é que a reviravolta é muito previsível e soa um tanto quanto imatura, tendo apenas como objetivo colocar a nossa mocinha em perigo. O próprio personagem é desenvolvido com bastante limitação e acaba nos entregando um antagonismo bastante caricato. A culpa não é do ator Ed Strein, e sim do personagem que é bem pobre.

A comédia presente é muito boa e essencial para o filme, porém ela começa a cansar depois de um certo tempo. De cada dez palavras que o personagem fala, onze são piadas, então dá para entendermos que o filme não se leva a sério nem mesmo na sua linguagem. Entretanto, a melhor sacada da comédia no longa vem das referências aos papeis fracassados que Ryan Reynolds teve ao longo de sua carreira, principalmente os que envolvem personagens de HQ’S.

Deadpool é um filme bem barato comparado a outros longas de heróis. Segundo alguns sites, apontam que o orçamento do longa ficou entre 30 e 50 milhões de dólares. Todo mundo sabe que nenhum estúdio aposta grandes orçamentos para filmes com uma classificação alta nos Estados Unidos. Com esse orçamento apertado, podemos dizer que as cenas de ação acabam sendo mais limitadas. Na verdade o longa em si, tem apenas duas grandes sequências de ação: a cena da rodovia e a cena final, mas em compensação, os efeitos especiais estão muito bem desenvolvidos. Apenas um ponto negativo fica para a sequência final, onde os efeitos parecem estar um tanto quanto “anos 90”. Do contrário, seria tudo às mil maravilhas. Já não podemos dizer sobre a paleta de cores utilizada para o filme, são muitos tons dessaturados e acinzentados em um filme onde o personagem principal é cheio de vida.

O design de produção é muito mais inspirador do que a fotografia do longa, sendo que ela é vital para diversas situações do filme. Como os bonequinhos, as anotações no papel ou nos detalhes que ficam impossíveis de captar em um primeiro momento.

A sequência de créditos iniciais é uma das mais geniais dos últimos anos, assim como o belíssimo plano sequencial congelado, que explora um determinado momento de ação, nos revelando a loucura que ronda o nosso personagem.

Se antes tínhamos dúvidas que Ryan Reynolds poderia ser um bom Deadpool, aqui elas são jogadas pelo ralo e comprovamos que não poderia existir outro ator para fazer o personagem a não ser ele. E a química entre ele a brasileira Morena Baccarin funciona muito bem e conseguimos comprar todas as cenas do casal.

Enfim, Deadpool é um baita filme, que não vai decepcionar quem estava com grandes expectativas desse reencontro com o personagem. Não esperem nada revolucionário ou algo que vá mudar sua vida, porque não existe, e sim o que existe é piadas de humor negro, ação violenta, teor sexual, o palavreado forte, que certamente deixará todos satisfeitos.

Observação: Existe uma cena divertidíssima depois dos créditos

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