O verdadeiro Zayn em Mind of Mine

Mind of Mine liberta a personalidade do ex-membro do One Direction.

Sempre que um conjunto musical alcança o auge um dos pensamentos cercando os fãs é: quem vai abandonar o barco primeiro? E, além disso, quem vai obter mais sucesso sozinho? A busca é pela “nova Beyoncé” ou o “novo Justin Timberlake”, dois dos maiores exemplos de sucesso em carreiras solo pós-grupo.

Zayn não é um nem outro. Ele não busca mais fãs, não busca mais histeria, e isso fica bem claro com as escolhas feitas para seu álbum de estreia, Mind of Mine. Se distanciando totalmente do trabalho do One Direction, o cantor tenta destacar aqui sua personalidade, num disco melhor que qualquer coisa lançada com os antigos colegas.

Zayn Malik libera prévia de próxima música a ser lançada, Late Nights.

PILLOWTALK: O primeiro single do CD já mostrou a que veio, conseguindo um feito que o One Direction nunca alcançou: ficar em primeiro lugar na Billboard, principal parada de singles dos EUA. Ótima escolha para abrir o álbum, resume muito bem o clima desenvolvido ao longo do CD.

iT’s YoU: As batidinhas leves de hip-hop dessa balada contrastam muito bem com os vocais do cantor. Os riffs de guitarra em certos momentos surgem como a cereja do bolo.

BeFoUr: O clima mais animado do disco volta nessa canção, uma das poucas em que o refrão não carrega o resto da estrutura musical nas costas.

sHe: A pegada mais pop da tracklist até agora. Pode ser a canção de mais fácil “digestão” pelo público geral, e principalmente pelos fãs do One Direction.

dRuNk: Aqui o refrão, teoricamente a parte principal da música, acaba sendo a mais dispensável. Tanto o instrumental quanto os vocais do resto da canção se destacam muito mais.

rEaR vIeW: Uma daquelas músicas que aos dez segundos já te pegam, e o decorrer dos 3 minutos e 21 segundos só confirmam a promessa. Destaque para o pós-refrão.

wRoNg: O único feat do CD deixa claro as intenções de Zayn com o disco, tendo o R&B em destaque aqui. Os vocais femininos de Kehlani dão uma balanceada ótima na canção, diferenciando-a das outras.

fOoL fOr YoU: Talvez a única música que poderia facilmente estar em qualquer álbum do One Direction. Você pode até esperar a parte em que o Harry Styles entra para cantar seu verso. É a cota “pianinho + batidinha leve” presente em 99% dos discos pop de hoje em dia.

BoRdErSz: Aqui os sintetizadores eletrônicos, que até então dominavam o CD, deixam os instrumentos mais orgânicos se destacarem. Ponto positivo.

tRuTh: O R&B modernoso dá lugar a algo mais atemporal, com uma pegada de baladinhas lançadas no início do milênio, no auge da black music.

lUcOzAdE: A 13ª música do disco já começa a dar sinais de repetição da fórmula utilizada. Poderia ser descartada tranquilamente da tracklist.

TiO: A partir do primeiro refrão melhora consideravelmente. Não fosse essa virada, é outra que também poderia ser cortada sem pena.

BLUE: Sempre que uma baladinha mais comum aparece, o nível do CD cai, e este é mais um exemplo. Nem os já conhecidos vocais fortes do cantor salvam.

BRIGHT: A fraca canção anterior se torna ainda mais esquecível quando seguida por essa. A interessante estrutura e camadas instrumentais se destacam.

LIKE I WOULD: Uma das mais animadas do CD e (coincidentemente?) uma das poucas com cara de single. Se distancia um pouco do clima das outras canções.

SHE DON’T LOVE ME: Canção mais longa da tracklist, cumpre bem o papel de fechar o álbum, mantendo o mesmo clima encontrado lá no começo.

Uma sensação constante ao se ouvir o CD é a de que parece algo que você já ouviu em algum lugar. As referências de Zayn são bem claras, e quase todas as músicas poderiam facilmente ser cantadas pelo The Weeknd ou estar na tracklist do ANTI, da Rihanna. Algo em comum apontado nestes dois trabalhos citados é o clima lascivo, inegável aqui.

A vibe linear, em determinada hora, dá a sensação de repetição. Duas ou três músicas poderiam ter sido enxugadas do produto final (principalmente as baladinhas excessivamente melosas), mas se há algo impossível de se reclamar é da falta de coesão. Não parecem várias músicas aleatórias colocadas juntas, como acontece com a maioria dos discos pop. Há identidade.

Ainda que seja apenas experimentação musical, fato é que Mind of Mine conseguiu cumprir a missão de refletir a personalidade de Zayn para além de seu ex-grupo. Mesmo que o cantor não siga este clima em seus próximos discos, o primeiro já serviu para apresentá-lo de maneira respeitável ao mundo.

A produção classuda, a pegada de R&B moderno, e até alguns momentos que remetem aos bons tempos do Usher, fazem deste um ótimo trabalho.

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