One Tree Hill: dez anos de histórias e fiéis seguidores

É a história mais antiga do mundo. Um dia, você tem 17 anos e está planejando o futuro. E então, sem você perceber, o futuro é hoje. E então, o futuro foi ontem. E assim é a sua vida”. SCOTT, Nathan.

Essas palavras ditas na narração inicial do último episódio de One Tree Hill define bem a trajetória dessa série que marcou a última década. Foram nove temporadas exibidas entre 2003 e 2012, 187 episódios, muitos dramas, choros, risadas mas acima de tudo… lições!

One Tree Hill pode não ter sido uma série premiada ou de audiência estrondosa. Mas sempre soube muito bem contar suas histórias. A série estreou em 23 de setembro no canal The WB, vindo de projeto que anteriormente seria apenas um filme. A história poderia parecer simples, mas havia algo de especial nela. Em uma época em que séries teens eram tão comuns, para se ter sucesso era preciso ter algo a mais. E o que foi que Tree Hill teve de especial?

A série girava em torno de dois meio-irmãos, cada uma crescendo em uma realidade, mas ambos apaixonados por basquete — esporte típico da cidade fictícia de Tree Hill na Carolina do Norte. Quando no ensino médio, a vida dos dois irmãos se cruzam no time da escola, a história começa a se desenrolar. Ela esteve por três anos no canal The WB, até quando este fundiu-se com a UPN e formando o The CW, canal que exibiu as outras cinco temporadas.

Talvez o que se destaque nessa série é o modo em que ela conversava com sua audiência. Porque ela crescia junto com o espectador. Quem assistia One Tree Hill era justamente pessoas que viviam aqueles dilemas, e mais do que ninguém compreendiam as situações de cada episódio. Seja o triangulo amoroso formado por Peyton, Lucas e Brooke, as brigas entre Lucas e Nathan… Tudo isso era algo da realidade juvenil. Mas isso não poderia se desgastar? Não, se souber conduzir bem. E foi isso que Mark Schawhn fez.

A medida que foram passando as temporadas, One Tree Hill cresceu infinitamente trazendo abordagens nunca visto antes na TV. O episódio do tiroteio no colégio, na terceira temporada, baseado claramente no massacre em Minnesota nos Estados Unidos em 2005, foi um dos episódios mais assistidos da série, e que com coragem tocou em um tema que estava em alta na época — e que infelizmente não saiu de moda.

Não só o amadurecimento mental dos personagens, mas também uma passagem de tempo que foi muito útil a série. Entre a quarta e quinta temporada, houve um salto no tempo de 4 anos, e agora os personagens já se encontravam depois de terem encerrado a faculdade. One Tree Hill deixava de ser uma simples série Teen, e passava a abordar temas de gente grande, como sequestro de filhos, transplantes de coração, assassinatos em série, depressão entre outros… Esse amadurecimento dos personagens foi uma resposta clara ao amadurecimento do telespectador. A série cresceu junto com quem assistia e isso garantiu que ela sobrevivesse por nove anos.

Passagem de tempo de quatro anos marcou o amadurecimento dos personagem e deu uma mudança nos rumos de One Tree Hill.

Claro que, o enredo e os fãs foram peças fundamentais. Quem nunca se pegava pensando numa citação dita em algum episódio? Ou ouvindo uma música de uma banda que tinha acabado de conhecer na série? Esses eram vários dos motivos que fez OTH ter uma fã base como nenhuma outra série teve. Eles se reuniam para petições on-line, mandavam cartas, bolas de basquetes, faziam vigília nos estúdios, tudo isso para garantir a renovação da série — que quase sempre ia para a bolha do cancelamento. Foram muitos anos nesta luta. Mas a cada ano, a vitória era motivo de comemoração. Os fãs eram tão devotados, que tornaram Wilmington na Carolina do Norte (saiba mais sobre o lugar aqui), o principal ponto turístico de viagens.

Conversando com alguns leitores e fãs da série, o Box questionou o porque dessa paixão com One Tree Hill. Amanda Nogueira, jornalista, disse que começou a ver série pelo SBT e se apaixonou justamente por se identificar com os dilemas dos personagens: “A gente se identificava. A pessoa que brigou com o melhor amigo, que gostava do cara da escola, que tinha uma relação difícil com os pais, que tinha aquele amigo especial ou aqueles super idiotas, que já tomou um fora, que já se apaixonou… Sim, toda série teen faz esse monte de clichê, mas Tree Hill fazia isso muito bem e me dava esperança de achar um caminho quando tudo estivesse confuso”, disse ela. Já Paulo Patrício, estudante de Engenharia da Computação, diz que a música era o significado de One Tree Hill para ele, e que o aprendizado era grande: “Foram os acordes dos mixtapes semanais que me puxaram para este universo. E foi ali que me encontrei. Me ensinou a dar valor ao que realmente é importante, como se soubesse o que iria acontecer no futuro. Me ensinou que as pessoas sempre vão embora, que toda música acaba mas que isto não é motivo para não apreciá-la e que devemos apreciá-la da melhor forma possível pois nada dura pra sempre. Me ensinou que família é o que temos de mais precioso, seja ela de sangue ou não. OTH me ajudou a encontrar meu caminho, a persistir pelo meu sonho e que se algum dia ele morrer, será por algo maior”.

Último episódio da série é considerado como um dos melhores pelos fãs.

Cada um tem sua temporada predileta. Seu momento marcante, ou o personagem favorito. Mas o importante é que muitos dos fãs se mantiveram fiéis ali, até o final. A temporada que marcou o fim da série, é considerada por muitos como a melhor, e isso só prova o fôlego que One Tree Hill conseguiu trazer. Como disse, a série pode não ter sido premiada, nem ter sido um estouro de audiência. Mas uma das metas de alguém a contar uma história é justamente poder ajudar alguém, ou tentar tocar o coração de uma pessoa. E isso One Tree Hill soube fazer muito bem. São dez anos que devem ser comemorados e sempre lembrados, que foram bem vividos por fãs que aproveitaram cada minuto desse crescimento mútuo. Uma época boa que não vai voltar, e ficará marcada no coração de muitos fãs. Sem dúvida. Parabéns One Tree Hill, e fique ligado no Box que tem mais especial vindo por aí…

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