Por que A Chegada (Arrival) é tão bom? — Sem Spoilers

Você viu Interestelar desse jeito?

Eu não falo ALIEN

E ainda assim AMOU?

Então A Chegada é o seu filme de ficção científica de 2016.

A história é muito mais simples, mas nem por isso sua narrativa é menos enigmática ou prazerosa. O mecanismo de contar a história parece o mesmo de todos os bons filmes de suspense: te encher de mistérios e no final te recompensar com uma descoberta — as vezes ela não é tão boa.

Aqui, talvez a resposta não seja a que você esperava desde os primeiros minutos de filme. E isso não é menos compensatório, pelo contrário. A diferença está na jornada.

Você vai se sentir sufocado, você vai ficar curioso para desvendar o segredo… E, de repente, o que deveria ser o maior mistério do filme não é nada comparado ao que você descobre. Algo que estava ali o tempo todo, na sua cara.

Esqueça a física quântica, esqueça a matemática. A ciência por trás deste filme de invasão alienígena é a linguagem e o efeito dela em nossa vida — não como ser-humano, mas como espécie.

O que você julga ser o elemento mais icônico do longa é na verdade apenas alegoria para uma discussão muito mais profunda: a nossa maneira de viver o mundo.

Louise Banks (Amy Adams) é uma linguista convidada a colaborar com o governo americano, que tenta decifrar a forma de comunicação de extraterrestres que acabaram de chegar ao planeta.

São 12 naves em formato de concha, espalhadas pelo globo em locais distintos e nada amistosos como EUA, China, Rússia, Venezuela, Paquistão etc. Todos eles estão tentando desvendar o que significa a chegada dessas naves, à sua maneira.

Você pode pensar que é um filme sobre a invasão alienígena, que é um filme sobre cooperação política e militar, você pode pensar que é uma nova versão de Contato. Mas não é nada disso.

É um filme que consegue emular como seria viver um paradoxo. Diferente de tudo que você imagina. E ele consegue!

O grande mérito está na construção do roteiro e na montagem do filme. Parece um tipo de ficção, mas é outro. É a jornada de uma mulher que está desvendando algo muito maior do que ela mesma. Maior do que uma invasão alienígena.

É ficção e é arte. Se utiliza de truques básicos que aprendemos nesses mais de 100 anos de cinema. A trilha sonora te sufoca. O ritmo lento te coloca em situação de angústia. Você vive o filme, a ansiedade da personagem.

E quando termina, você percebe que tinha a mesma perspectiva que ela o tempo todo. Você sentiu o que ela sentiu.

A Chegada é uma das melhores experiências narrativas de 2016. Um clássico instantâneo da ficção científica.

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