Por que você ainda não foi ler John Scalzi?

Descobri recentemente os livros de John Scalzi graças a uma amiga muito querida. Já não encontrava mais títulos que me fizessem perder a noção do tempo, como o videogame. E não há nada mais entediante do que um livro chato. Você também tem a sensação de que se começou, tem que ir até o fim? Parece uma tortura.

Mas deixando o TOC de lado, preciso falar de John Scalzi. Ele é autor de ficção científica. Ficou muito conhecido por seu blog, Whatever, que surgiu em 1998 e lhe rendeu um Hugo Award na categoria Fan Writer. Ele também foi consultor da série de TV Stargate Universe.

Mas ao invés de ficar falando sobre o currículo do cara, que está disponível na internet, eu gostaria de compartilhar as minhas sensações ao entrar em contato com tudo o que ele criou. E para isso, preciso voltar ao início dos anos 2000, quando conheci outra autora que também é mestre na escrita.

Quando li JK Rowling pela primeira vez eu fiquei impressionado. Como poderia haver tanta criatividade em uma só pessoa? Consigo lembrar até hoje o quanto fiquei maravilhado quando o chapéu seletor começou a falar. A ideia de um objeto que pode ler sua mente e definir o seu caráter me parece essencial até os dias de hoje. Praticamente uma questão de segurança pública! rs

A criatividade de Jo é crescente, nunca me decepcionou. Inventiva e adiante. Era diferente de toda experiência literária que eu já tinha tido até ali. Talvez pelo contato com um mundo fantástico completamente novo, que ela decidiu compartilhar com muita generosidade.

Até então, Michael Crichton era meu autor favorito. Mas o que ele fazia que não se apropriar de conceitos já conhecidos? Não o desmereço por isso, há criatividade ali também. Ele tocava em temas e lhes dava vida.

Já Jo Rowling dava vida a coisas que eu nunca havia imaginado. Era mágica diante dos meus olhos de leitor.

O porquê de estar falando de Jo num texto sobre Scalzi vem agora: praticamente duas décadas depois eu tive contato com a mesma experiência, com quase a mesma potência.

Se ainda não conhece este autor, prepare-se para um novo vício.
O autor, John Scalzi

Me vi fisgado em uma leitura que impressionava não apenas pela inventividade, mas também pela trama. Isso num contexto que talvez poderia repelir parte do público leitor mais jovem, afinal o primeiro livro de Scalzi que li (Guerra do Velho) tem como protagonistas um elenco de personagens sexagenários. Difícil se reconhecer ali.

Mas o mundo e a tecnologia criados e descritos por Scalzi te prende pois, ao mesmo tempo em que ele te explica um novo dispositivo, ele te dá brechas para que você imagine tudo que pode ser feito com isso. E o mais intrigante: você percebe que ele não te contou tudo, e você quer saber tudo.

Scalzi domina a arte de prender sua atenção e fazer com que você crie teorias enquanto viaja na história que ele vai desenrolando. Talvez você não desvende e nem acerte tudo que ele sugere. Mas com certeza você ficará contente com as soluções e desfechos apresentados.

Em Guerra do Velho somos apresentados a uma planeta Terra pós contato com inteligência alienígena. Isso afetou a vida em nosso planeta com o salto causado no conhecimento que nossa espécie passou a possuir. O resultado em tecnologias inimagináveis é o que mais me prendeu na leitura.

A trama se passa no espaço e conta como um grupo de idosos foi selecionado para defender nosso planeta do ataque de outras espécies. Não quero ir mais além pois isso quebraria parte do encanto, que é descobrir como esses grupo de idosos poderia fazer isso.

Scalzi mescla a apresentação de teorias de física quântica com o enredo de sua história de maneira muito natural. Ao ler, você só consegue pensar “mas é claro que isso seria assim!”.

Já pude ler três obras do autor. Duas que fazem parte de um mesmo universo (Guerra do Velho e As Brigadas Fantasmas) e outra que funciona de maneira independente (Encarcerados).

Recomendo que se inicie pela série Guerra do Velho, que me parece mais inventivo e tem uma sequência ainda mais entretida (As Brigadas Fantasmas). Esta série é formada pelos títulos já citados (em ordem cronológica), os únicos em português até o momento. Ainda estão pendentes de tradução The Last Colony, Zoe’s Tale, The Human Division e The End of All Things.

Se você curte ler em inglês, bem-vindo ao seu novo vício. Se não for o caso, aprecie com moderação.

Sobre o Autor

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Caio Fochetto

Fundador do site BOXPOP, profissional de mídia e comunicação com experiência em TV aberta, TV paga, portal web e rádio. Potterhead sonserino com muito orgulho e apaixonado por cultura pop.

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