Punky Brewster: A levada da breca

Considerada a receptividade que o nosso último post aqui do Box Animado (O Fantástico Mundo de Bobby) teve, parece que não sou o único a gostar de “coisa velha”.

Como já disse anteriormente, aqueles que tiveram sua infância entre os anos 80 e 90 viveram, sem dúvida, a melhor época de criança.

Essa semana, vou tentar resgatar mais um pouco desses momentos falando do fenômeno Punky.

Mas como esse é o Box Animado, devo começar do final. Explico: It’s Punky Brewster, ou simplesmente Punky como ficou conhecido aqui no Brasil, foi um spin-off em forma de desenho animado, criado em 1985, aproveitando o sucesso do seriado Punky Brewster.

O desenho contava com a versão animada de todos os personagens do seriado principal dublados por suas devidas partes, além de um personagem exclusivo, Glomer, um ser mágico meio urso de pelúcia, meio leprechaun (meia mussarela, meia calabresa) com uma barbichinha ridícula, que trazia o diferencial do spin-off.

Enquanto a série principal tratava temas da vida real, o seriado animado ia na direção oposta, trazendo um mundo totalmente fantástico, com aventuras que envolviam desde viagens no tempo e alienação de personagens e fatos históricos até a antecipação do Natal.

Punky era a típica animação da manhã, sem comprimisso algum de levar-se à sério, apenas preocupada em divertir seu público, na grande maioria, infantil. Talvez tenha sido esse seu maior problema, relegado à mera sombra do sucesso estrondoso que era o seriado principal, a animação nunca alavancou.

Sem o carisma natural da “verdadeira” Punky, It’s Punky Brewster durou apenas duas temporadas. E de verdade? Não deixou saudades.

Já o seriado principal é uma história totalmente diferente.

Nota editorial: Eu sei que o restante do texto seria assunto para outras sessões do site como o Box Fechado e a Caixa Preta, mas já que eu me dei ao trabalho de usar o sofrível desenho como gancho só para falar da Punky, minha vida, os CEOs resolveram relevar essa!

Punky Brewster, ou como conhecido por nossas bandas Punky, A Levada da Breca (agradeça ao tio Silvio esse nome pomposo), foi ao ar pela primeira vez em 1984 pela NBC (no Brasil foi exibido originalmente pelo SBT) e contou com 4 temporadas de muito sucesso.

Agora, fala a verdade. Quem mais senão o dono do baú para trazer esses nomes style? E sim, Punky, A Levada da Breca soa bem melhor que Punky Brewster.

Aliás a fissura por abrasileirar nomes não parou por aí. A primeira dublagem de Punky para o português é de posse do próprio SBT, tanto que a reapresentação do seriado na Band, em 2008, conta com uma dublagem totalmente refeita, e muuuuuuuito pior. Na dublagem original, praticamente todos os nomes foram alterados:

Penelope “Punky” Brewster (Soleil Moon Frye), nossa protagonista, se tornou Punky Baker (esse eu não entendí, inglês por inglês?);

Henry Warnimont (George Gaynes, o comandante Lassard de Loucademia de Policia), pai adotivo de Punky, no Brasil virou Artur Bicudo (WTF?!?!?);

Betty Johnson (Susie Garret), a vizinha de Henry, ficou conhecida como Dona Luiza;

Cherie Johnson (Cherie Johnson, sim a atriz era homônima à personagem), sobrinha de Betty e melhor amiga de Punky, aqui era Catia Johnson (abrasileirar só nome e sobrenome não, pode? Claro que pode! Foi o dono do Pa-Panamericano que mandou? É Lei);

Margaux Cramer (Ami Foster), a amiga esnobe, virou Margot. Ou nome chique não precisa de muita mudança, ou foi só coisa de numerologia mesmo;

Allen Anderson (Casey Ellison), o menino do grupo, era simplesmente Junior;

Até o pobre bichinho de estimação, o cão Brandon, teve seu nome alterado para Pinky (precisa comentar?).

Mas as adaptações não pararam por aí, o tema original de abertura Every Time I Turn Around ( que pode ser conferido ao clicar aqui), no Brasil foi substituido por “Nunca mais eu vou dizer que essa vida me aborrece, Punky…” (clique aqui para ver) — S.U.C.E.S.S.O!

É preciso ir além para entender o fenômeno. Punky tinha todos os elementos para ser sucesso, não havia como errar. Soleil Moon Frye, no papel da protagonista, exalava simpatia e suplicava compaixão, sem perder o jeito moleca que cativava a todos. Como não se apaixonar pela pequena órfã com um tênis de cada cor, lencinho amarrado no joelho da calça, chiquinha no cabelo e olhos penetrantes? Toda criança queria ser cool, igual à Punky…

Mesmo depois de Punky, Soleil continuou fazendo participações em outros seriados, protagonizando, inclusive, o maior encontro de titãs pré-Mercenários. Dois anos após o término de Punky Brewster, Soleil contracenou com Fred Savage, sim o Kevin Arnold, fazendo o papel de Mimi na premiere da quarta temporada de Anos Incríveis. Não acredita em mim? Então vislumbre seus sonhos infantis molhados clicando aqui.

Além disso Soleil teve participações em outras pérolas da geração 80–90, como Saved by the Bell, fez o papel de Katie, a namorada que adorava dar “soquinhos” no braço de Joey em Friends (décimo quinto episódio da quinta temporada) e teve um papel fixo no elenco de Sabrina, The Teenage Witch como Roxie.

Soleil era grande parte do sucesso do seriado, mas não era tudo. Punky Brewster, apesar de um seriado direcionado ao público infanto-juvenil, ousava muito ao falar de temas como abuso sexual e drogas — quem não se lembra das Chiqueletes e seus desafios de ovo batido com catchup e de tentar empurrar umas balinhas para Punky?

Essas eram as coisas que tornavam Punky tão interessante, tanto às crianças quanto aos adultos, uma menina doce e meiga, mas de atitude forte, num seriado que falava para todos.

Uma última curiosidade de produção: o nome Punky Brewster foi baseado em uma menina que um dos produtores da emissora conheceu durante sua infância, que inclusive chegou a contracenar com sua versão fictícia no episódio The Search da segunda temporada.

E aí, gostou de mais esse passeio pelo túnel to tempo? Só não deixe de comentar.

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