Quando sua esposa acha seu sucesso no lixo ou a minha review Sobre a escrita de Stephen King

Vem aqui aprender mais um pouquinho do Stephen King em Sobre a escrita.

Olar!

Essa é a minha primeira resenha de livro na vida. Não direi coisas como “ótimo livro, recomendo” ou “este livro é tão bom que eu não conseguia parar de ler”. Não direi coisas como “tem 380 páginas e 12 capítulos” ou que as imagens parecem misteriosas.. então você me pergunta: Ok, o que você vai dizer então? Eu vou contar o que ele me ensinou. Já li muitos livros nessa vida e todos eles me ensinaram alguma coisa. Deixa eu trazer mastigadinho pra você. Eu te prometo: se você ler minhas resenhas, nunca precisará tocar no livro.

Dito isso, espero que gostem:

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Peitos lésbicos

“Outros [escritores ruins] se apresentam em concursos de poesias vestindo camisas de golas rulê pretas e calças cáquis amarrotadas e declamando versos burlescos sobre “meus furiosos peitos lésbicos” e “os becos íngremes onde gritei o nome de minha mãe.” Escritores se organizam na mesma pirâmide que vemos em todas as áreas do talento e da criatividade humana. Na base ficam os ruins. Acima deles está um grupo um pouco menor, mas ainda grande e acolhedor: os escritores competentes. Eles também podem ser encontrados no jornal da sua região, nas prateleiras das livrarias e em leituras de poesias. Eles entendem que, embora uma lésbica possa estar com raiva, seus peitos vão continuar sendo peitos.”

Amo ler biografias. Amo ler biografias porque amo ler sobre histórias de vida das pessoas (às vezes mais do que histórias inventadas). Ler a biografia de um autor contada por ele mesmo é, no mínimo, intrigante e no máximo entediante. Sobre a escrita consegue ser ambos. Eu me dispersei muitas vezes, porque tem momentos que é mais maçante mesmo: ele mescla histórias da vida dele com algumas técnicas de escrita, mas se você tem qualquer desejo dentro de ti de ser um escritor, esse livro é indispensável.

Fusão estilística

Quando eu li Hell pela primeira vez eu fiz um texto muito cru. Meses depois ganhei O Mochileiro das Galáxias de Douglas Adams e logo que terminei escrevi um texto nonsense. Ele dá o nome de fusão estilística: a capacidade de surfar em quantos estilos necessário for para diversificar o tipo de leitura / escrita. Não se trata de imitação, mas sim de da importância da fusão como maneira de explorar e encontrar a sua própria voz.

Um início bastante fracassado

Foram muitos mas muitos mas muitos não’s até o primeiro sim. Vida simples, 2 filhos e muito trabalho pela frente, a verdade é que por muito pouco ele não desistiu várias vezes. A parte boa de ler isso tudo é que você sabe que em algum momento as coisas vão começar a dar certo e já quer ficar feliz por ele.

Carrie, a Estranha

Carrie, a Estranha foi o primeiro sucesso do Steve (fazendo a íntima) e ela foi tirada do lixo pela esposa dele.

Sim. Sim, sério.

“Eu não conseguia me ver perdendo duas semanas, talvez um mês, em um romance de que eu não gostava nem conseguiria vender. Então joguei tudo fora. Na noite seguinte, quando voltei da escola, Tabby estava com as páginas nas mãos. Ela tinha visto o texto enquanto esvaziava a lata de lixo, espanara as cinzas de cigarro das bolas de papel amassado, alisara as páginas e começara a ler. Tabby queria que eu continuasse a história. Queria saber o resto. Eu disse que não sabia nada de nada sobre meninas adolescentes. Ela disse que me ajudaria com essa parte. Tabby estava com o queixo inclinado e abriu aquele sorriso arrasadoramente lindo. — Você tem coisa boa aí — disse ela. — Tenho certeza disso.”

Tabby tinha bastante razão, mas ele só descobriu depois de escrever cinquenta páginas. Embora o livro tenha demorado mais de um ano para sair, foi em Maio de 1973 que ele recebeu a melhor notícia de toda sua vida: os direitos da edição brochura de Carrie foram vendidos para a Signet Books por 400 mil dólares e isso mudou a sua vida pra sempre.

Cavucadores

Ele acredita que histórias são relíquias, como fósseis na terra. Nós, os escritores, somos cavucadores (esse termo eu que inventei): seja o que for, o nosso trabalho é usar as ferramentas que temos para desenterrar o máximo de histórias que conseguir, tão intactas quanto possíveis. Eu gosto dessa ideia.

Todo escritor é carente

Todo escritor escreve porque sua vida não é interessante. Se o fosse estaríamos vivendo, mas preferimos viver outras vidas de personagens cujas histórias são bem mais divertidas. A realidade é, no máximo, uma chamada no Skype pedindo ajuda para o amigo, um facetime mostrando a tela do computador ou até mesmo buscar um vídeo no Youtube em que alguém com pelo menos quinze anos a menos que você está explicando perfeitamente como resolver o problema do som que por acaso está vazando para o computador.

Para o Steve, a gente sempre escreve para alguém. Sobre qualquer coisa, é verdade, mas sempre para uma mesma pessoa. Sobre a escrita é quase que uma declaração de amor pra sua esposa Tabby. Por isso eu gostaria de dedicar a minha primeira resenha de um livro na vida para Tabby, a esposa do Stephen King.

Que venham as próximas.

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