Reality vs Séries

Todo mundo discute a relação TV vs Cinema. É emblemático, claro! Grandes artistas de cinema nas telas de TV chamam atenção. Mas alguém já reparou na guerra entre os roteirizáveis e os não roteirizáveis? Pois há um estigma: se TV é menos do que cinema, e leia TV como série de TV, reality consegue ser ainda menos… E não falo por mim, mas pelo preconceito dos intelectualóides.

Eu curto reality, eu assisto Big Brother. E digo: não há reality show mais bem escrito do que este (hehe). Há quem diga que não, imagina… Mas a última edição do maior Big Brother de todo o mundo (paredões mais votados do planeta), evidenciou muito que se reality é reality pela falta de roteiro, então precisamos de uma nova especificação para esta classe de programas.

E nisso somos muito melhores do que o povo lá de cima, dos USA. Adoro os realitys de lá, afinal eles têm grana para fazer uma volta ao mundo completa, enquanto que a versão brasileira disso é apenas um passeio pela América Latina. Quem tem The Amazing Race se contenta com The Almost Amazing Race? Claro que não! Mas aposto que na mão dos brazucas a coisa fica muito menos canastra do que Realities do porte de Survivor e The Amazing Race acabam ficando.

E confesso, eu assisto pra rir! Por mais sério que seja (e alguns são bem sérios). Por isso até dei para escrever este texto, afinal li que as séries de TV estão considerando muito mais produtos no formato comédia, séries de TV mesmo, ao invés de reality show. Olha, no meu sangue corre série. Não consumo American Idol, não consumo Extreme Makeover e nem mesmo Project Runaway — e olha que curto muito estes dois últimos — mas me preocupa a falta de equilíbrio.

Claro que, em tempos de reestabilidade pós greve de roteiristas, a demanda por programas do tipo “tranque-me numa jaula com tubarões” tende mesmo a cair. Mas é na busca e tentativa que chegamos a modelos prazeirosos e que duram muito mais do que as melhore séries de TV, tendo até mesmo seus crossovers de heróis e vilões. Survivor e The Amazing Race são prova tendo, respectivamente, 20 e 15 temporadas.

São apenas cinco programas não roteirizáveis em desenvolvimento atualmente nos EUA. E não estou falando de um canal específico, mas da ABC, CBS e NBC juntos. Isso foi o que anunciou ontem o Los Angeles Times.

No ano passado foram 13 propostas. E, como disse acima, são os programas de riso que tem roubado o espaço dos não roteirizados, segundo o analista Anthony DiClemente, que baseia sua pesquisa nas publicações e anúncios oficiais dos canais de TV dos EUA. Se juntarmos ABC, CBS, NBC e Fox teremos a encomenda de 44 episódios pilotos de comédia, num total de 84 pilotos. No ano passado foram apenas 34 pilotos nesta categoria, de um total de 81 projetos.

Como disse, não sou o maior fã de reality show, mas acredito que o equilíbrio e a criação de novas propostas sempre tem apenas a acrescentar. Pensando em entretenimento e passatempo, não há como negar que os programas sem roteiro cumprem sem papel e, mesmo com todo preconceito, movem a audiência a debates às vezes muito mais acalorados do que muitas séries — sejam esses debates fundamentados ou não.

E pra você, o que vale mais?

Sobre o Autor

BOXPOP

Site especializado em cultura pop, fundado em agosto de 2007. Confira nossos podcasts, vídeos no youtube e posts em redes sociais. Interessados em contribuir como autor no site podem entrar em contato: contato@boxpop.com.br

Deixe um comentário

clique para comentar

OUÇA O BOXCAST

VIDEOCAST

Confira o que achamos da versão ilustrada de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban em português.

Wanessa tá de clipe novo. E o clipe define o que "é ruim mas é bom".

The Handmaid's Tale voltou!!! O que rola de novo nesta temporada? Descubra mas SEM SPOILER!

SEJA UM PADRINHO!

Contribua!