Relembre 4 novelas caipiras de Walcyr Carrasco

O universo caipira é recorrente na obra do autor. Assim como Êta Mundo Bom, veja outras 4 novelas caipiras de Walcyr Carrasco.

Êta Mundo Bom é uma novela leve e deliciosa de acompanhar. Em sua melhor fase, a trama não decepcionou o espectador. Afinal, embora tenha feito incursões pelos horários das 19h, 21h e 23h, apresentando sucessos por eles, todos sabem que Walcyr Carrasco é excelente neste estilo de novela caipira que traz um pouco de romance e drama, e claro, muita comédia.

Fazendas endividadas, chiqueiros, bichos de estimação, sotaque forrrrrrçado, torta na cara e muito humor pastelão: embora contenha muitos clichês folhetinescos, Walcyr é mestre em apresentar tramas e personagens de forma envolvente, fazendo com que não nos cansemos de torta na cara, gente arremessada no chiqueiro, bichinhos na fazenda…

Por diversas vezes, Êta Mundo Bom fica acima de Haja Coração e Velho Chico na audiência, pontuando cerca de 30 pontos no Ibope.

Pensando nisso, o BOXPOP reuniu outras 4 novelas caipiras de Walcyr Carrasco que o consagraram como grande autor do horário das 6. Confira!

O Cravo e a Rosa (2000–2001)

O Cravo e a Rosa marcou a estreia do autor na Rede Globo e foi a primeira das novelas caipiras de Walcyr Carrasco que marcaram seu estilo por anos. Trazendo uma adaptação de comédia romântica inspirada no clássico A Megera Domada, de William Shakespeare, a novela alavancou a audiência do horário e marcou Carrasco com um estilo único. Embora Êta Mundo Bom seja inspirada em Candinho, filme estrelado por Mazzaropi, e Cândido, de Voltaire, não se pode negar que tem muito em comum com O Cravo e a Rosa.

Assim como Cunegundes (Elizabeth Savalla) e Quinzinho (Ary Fontoura) no começo de Êta Mundo Bom, quem também precisa saldar dívidas é Julião Petrucchio (Eduardo Moscovis), o rude caipira retrógrado e machista de O Cravo e a Rosa.

Ambientada na São Paulo dos anos 1920, a novela narra o romance tumultuado — bem na base de gato e rato — entre Petruccio e Catarina (Adriana Esteves), que tem ideias muito avançadas para sua época, cheia de ideais feministas, além de mimada e rica, filha mais velha do banqueiro Nicanor Batista (Luís Melo).

Petrucchio herdou a propriedade do pai, a fazenda Santa Clara, que fabrica queijos para vender na cidade. Seu fiel companheiro é o humilde Calixto (Pedro Paulo Rangel), espécie de pai para o fazendeiro, apesar das constantes brigas entre os dois. O agregado de Petruccio, Januário (Taumaturgo Ferreira), é apaixonado por Lindinha (Vanessa Gerbelli), sobrinha de Calixto, mas que não dá a mínima para ele. Januário até batizou sua porquinha de estimação com o mesmo nome da amada.

São as dívidas que vão fazer com que Petrucchio resolva aceitar a sugestão de Dinorah (Maria Padilha), esposa de seu tio Cornélio (Ney Latorraca), e seduzir Catarina, casar com ela e depois usar o dinheiro da esposa para saldar a dívida.

Chocolate com Pimenta (2003–2004)

Inspirada na opereta A Viúva Alegre, no estilo de comédia romântica, ambientada nos anos 1920, Ana Francisca, a Aninha (Mariana Ximenes), ao ficar órfã, vai morar com a avó, a verdureira Carmem (Laura Cardoso) com uma parte da família que não conhece, em Ventura, fictícia cidade que gira em torno da fábrica de chocolates e bolos artesanais Bombom, do milionário Ludovico (Ary Fontoura).

Na fazenda de Carmem, moram também Margarido (Osmar Prado), tio de Ana, homem bonachão e filho de Carmem, o primo de Ana, Timóteo (Marcello Novaes), um caipirão ingênuo que troca confidências com sua vaca de estimação, Estrela; a prima Márcia (Drica Moraes), filha de Margarido, dona de um salão de beleza, metida e com mania de grandeza — quem não se lembra do “chique benhê”? -; que acaba despertando a paixão no primo Timóteo; e a agregada Dália (Carla Daniel), criada por Carmem como se fosse da família, moça ingênua e sonhadora.

Relembre 4 novelas caipiras de Walcyr Carrasco

Na cidade, mesmo sendo uma espécie de “patinho feio” — com vestidos pobres, penteados antiquados e óculos enormes — a moça conquista o coração de Danilo (Murilo Benício), o rapaz mais cobiçado entre as garotas, despertando o ódio da mimada Olga (Priscila Fantin), filha do delegado da cidade e interessada em fisgar aquele bom partido.

Relembre 4 novelas caipiras de Walcyr Carrasco

Ao perceber o interesse de Ana por Danilo, Olga trama um plano para afastar os pombinhos: Ana é humilhada publicamente durante o baile de formatura no Instituto de Educação de Ventura, ao qual comparecerá a convite do próprio Danilo.

Para ajudar a família nas despesas da casa, Ana vai trabalhar como faxineira na fábrica de chocolates e conhece Ludovico, mas não faz ideia de quem se trata, porque ele prefere fazer a menina acreditar que é um mero funcionário da empresa. Aos poucos, os dois ficam amigos.

No decorrer da trama, Ana engravida de Danilo, mas o casal é separado por uma armação de Olga e Bárbara (Lília Cabral), tia do rapaz. Ludovico (Ary Fontoura) revela sua verdadeira identidade e propõe se casar com Ana, além de assumir seu filho. Os dois vão para Buenos Aires, onde Ana começa uma nova vida. Lá, recebe aulas de etiqueta, dança e música, cortando os cabelos à última moda e ganha vestidos finos e joias do marido, ficando distante do “patinho feio” de outrora. Ludovico, porém, morre pouco depois do nascimento do filho de Ana Francisca.

Rica e acionista majoritária da fábrica de chocolates, Ana retorna a Ventura sete anos depois de sua partida, disposta a se vingar.

Alma Gêmea (2005–2006)

Alma Gêmea conta a história do amor eterno de um homem e uma mulher tragicamente separados e que, cerca de 20 anos depois, voltam a se encontrar quando ela reencarna num novo corpo.

Embora flerte com o misticismo, a novela não esqueceu a comédia, o campo e os conflitos familiares, tão característicos das novelas caipiras de Walcyr Carrasco.

A novela está dividida em duas fases. No início da década de 1920, o botânico Rafael (Eduardo Moscovis) e a bailarina Luna (Liliana Castro) apaixonam-se à primeira vista, se casam e têm um filho. No entanto, a amargurada Cristina (Flávia Alessandra), prima de Luna, não se conforma com a felicidade do casal e trata de armar um plano para separá-lo, já que sempre desejou Rafael.

No dia da estreia de Luna como bailarina principal no Teatro Municipal de São Paulo, Rafael e Luna são assaltados, a mando de Cristina, que encomendou a emboscada com seu admirador Guto (Alexandre Barillari) com o objetivo de roubar as joias usadas por Luna neste dia.

O botânico reage ao assalto, sendo salvo por Luna, que se coloca a sua frente e leva o tiro disparado pela arma de Guto, um dos assaltantes. Ela é levada ao hospital, mas não resiste ao ferimento.

No instante em que Rafael se desespera com a morte confirmada de Luna, em um distante casebre, a índia Jacira (Luciana Rigueira) dá à luz uma menina, Serena. Já uma moça feita, Serena (Priscila Fantin) às vezes vê uma rosa branca refletida nas águas de um lago e, em outros momentos, desenha casas grandes que não existem na região.

Após a morte da mãe, Serena resolve partir atrás de seu sonho. Ela corre vários riscos até chegar em São Paulo, onde conhece Terê (David Lucas), um menino de rua que rouba sua trouxa em busca de dinheiro. Acabam ficando amigos: durante toda a trama, Serena protege Terê, tornando-se uma das responsáveis pela educação do menino.

Já na cidade, Serena vai trabalhar como empregada na casa de Rafael. Um estranho sentimento toma conta da jovem assim que chega ao casarão, que só aumenta ao ver a rosa branca de suas visões — Rafael se tornou em um homem amargurado desde a morte de Luna, não se interessando por nada que não seja suas rosas. Felipe (Sidney Sampaio), o tímido e amedrontado filho de Rafael, provoca em Serena impulsos de mãe e, ao cruzar com Rafael, ela tem a sensação de que já o conhece, mas é difícil explicar tudo o que sente. O botânico também fica perturbado com a presença da jovem, que toca ao piano a música preferida de Luna — Clair de Lune, de Claude Debussy (1862–1918), embora nunca tenha aprendido a tocar o instrumento; dançar exatamente como a bailarina, sem nunca ter feito balé; e ver-se refletida no espelho com a imagem de Luna.

Além disso, com a chegada de Serena à casa, a roseira de Luna volta a florescer. Rafael se encanta com Serena e se convence de seu amor ao acreditar que a mestiça é mesmo a reencarnação da amada Luna.

Cristina se aproveitou da amargura de Rafael e de seu relacionamento distante com o filho, Felipe, para, ao longo dos anos, apossar-se da administração da casa, com a desculpa de ajudar Rafael a criar o filho. Ela se finge de delicada e bondosa, mas não hesita em prejudicar os que atrapalham seu objetivo: casar-se com o botânico. Com Serena, não foi diferente…

Mas nem tudo era drama em Alma Gêmea: os núcleos cômicos fizeram muito sucesso, como os irmãos caipiras Crispim (Emílio Orciollo Netto) e Mirna (Fernanda Souza). Os dois moram com o tio Bernardo (Emiliano Queiroz) em um sítio localizado junto à plantação de rosas de Rafael (Eduardo Moscovis). Nando e Crispim trabalham para Rafael na plantação e cultivo de rosas, enquanto Mirna toma conta da casa, sonhando arranjar um noivo para se casar. Crispim, porém, morre de ciúmes da irmã e não deixa que nenhum pretendente se aproxime, aproveitando para arremessá-lo no chiqueiro.

Ele, por sua vez, se apaixona por Kátia (Rita Guedes), a quem chama de “Anja”, mas não é correspondido num primeiro momento. Crispim e Mirna trocam ainda confidências com seus bichos de estimação: ele tem um burrico, e ela, amiga da pata Doralice.

Inclusive, Alma Gêmea voltará à grade da Globo, em mais um Vale a Pena Ver de Novo, em substituição à atual Anjo Mau. Walcyr Carrasco continua mesmo em alta. Aliás, a ótima repercussão de Êta Mundo Bom explica essa escolha.

Morde e Assopra (2011)

Embora fosse novela das 19h e fosse uma trama contemporânea — todas aa anteriores eram de época- ; Morde e Assopra contava a história do viúvo Abner (Marcos Pasquim), proprietário de uma fazenda com plantações de café, que se apaixona pela paleontóloga Júlia (Adriana Esteves) na fictícia cidade de Preciosa.

Porém, os dois vivem em pé de guerra. Júlia está em busca de fósseis para uma pesquisa afim de concluir sua tese de doutorado e dar aulas na Universidade de Oxford e descobre a existência de sítios arqueológicos na cidade de Preciosa, no Brasil, onde foram descobertas várias ossadas de animais pré-históricos.

Abner, em cuja propriedade está enterrado o resto da ossada de um titanossauro, não concorda com a realização de pesquisas em suas terras, já que para isso, seria necessária a derrubada de sua plantação de café, algo impensável, até porque depende da futura colheita para pagar as dívidas de um empréstimo bancário feito para custear o tratamento médico de sua falecida esposa. Os desentendimentos dos dois acabam em romance, que é atrapalhado pelas armações de Celeste (Vanessa Giácomo), cunhada de Abner, que faz o que pode para casar-se com ele.

Destaque também para a filha de Abner, Tonica (Klara Castanho), que também tem um bicho de estimação, uma mini-vaca. Na fazenda de Abner, moram com ele, além da filha: Hortência (Walderez de Barros) e a irmã Raquel (Gabriela Carneiro da Cunha).

Ainda em Preciosa, o cientista Ícaro (Mateus Solano) monta um robô idêntico à sua mulher, Naomi (Flávia Alessandra). Ele acha que perdeu a esposa em uma tempestade no mar e cria o robô para amenizar a saudade que sente dela.

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