Relembre 5 músicas de protesto

Em época de escândalos políticos, reveja algumas canções de protesto que marcaram época.

A música é uma forma de expressão, e com essa liberdade alguns cantores decidem atacar políticos, mesmo que indiretamente, através de suas composições. Manifestações, protestos ou pura rebeldia, listaremos algumas músicas que foram lançadas com o intuito político, não somente entretenimento.

5) John Lennon — Imagine

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Antes de introduzir a canção, precisamos destacar um pouco sobre o contexto histórico relacionado aquela época. Após o final da segunda guerra mundial, os Estados Unidos iniciaram um conflito contra a URSS, no entanto, esses dois países nunca se enfrentaram diretamente, somente contribuíram para a rivalidade de outros conflitos gerados nesse período, por exemplo, a Guerra das Coreias, do Vietnã, do Golfo, entre muitas outras.

Em suma, pode-se dizer que essa época foi marcada por extrema tensão política entre essas duas potências. Com o intuito de se dissociar daquela realidade e utilizar um pensamento utópico, John Lennon compõe a música Imagine, a qual promove a paz entre as pessoas, sem qualquer rivalidade política ou religiosa.

Essa temática de tentar ajudar a humanidade é perceptível também nos álbuns anteriores do cantor, com o lançamento do controverso disco Unfinished Music №1: Two Virgins em 1968 e, posteriormente, o protesto Bed-in, John Lennon e Yoko Ono buscavam mostrar aos governantes a importância da promoção da paz entre as nações, pois possibilitaria uma melhor qualidade de vida para as pessoas, dessa forma, não haveria a necessidade do grande número de guerras que estava acontecendo naquela época.

4) The Clash — Give ’Em Enough Rope

Na verdade, ficaria muito difícil ter que escolher uma única música para representar a forte oposição ao governo feita pela banda The Clash, dessa maneira, a melhor opção foi citar um dos álbuns mais politizados já criado pelo grupo, Give ’Em Enough Rope.

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Nesse disco, o principal foco das composições esteve relacionado ao terrorismo causado pelas inúmeras guerrilhas, bem como, o rumo que a humanidade estava seguindo naquela época. Com o lançamento de segundo álbum do The Clash, percebemos uma breve análise histórica dos conflitos mundiais, em faixas como Safe European Home, English Civil War, Tommy Gun e Guns on the Roof direcionam um parâmetro e mostram uma precisa imagem da tensa situação em que se encontrava a população em meados da década de 70.

3) Sex Pistols — God Save The Queen

Embora a música não seja exatamente contra a monarquia britânica da rainha Elizabeth II, o grupo Sex Pistols conseguiu causar bastante controvérsia com o lançamento do seu primeiro e único álbum Never Mind The Bollocks, Here’s Sex Pistols, especialmente por causa da faixa God Save The Queen, a qual utiliza o mesmo nome do hino da Inglaterra.

Apenas imagine a cena de uma banda composta por adolescentes rebeldes e revoltados sem causa, insultando o governo britânico, cantando God Save The Queen durante a cerimônia do jubileu da rainha Elizabeth II (jubileu é uma comemoração feita a cada 50 anos de reinado). Obviamente, a maioria das rádios rejeitaram a ideia de tocar uma música que conseguisse insultar o regime político adotado pelo Reino Unido.

No entanto, a atitude dos Sex Pistols unido às letras sem sentido da banda foram o suficiente para deixar uma marca na indústria musical, mesmo com apenas um álbum gravado. Pode-se dizer que o cenário punk começou a se desenvolver a partir de Never Mind The Bollocks, Here’s Sex Pistols. Com isso, a maior controvérsia, além desse álbum, seria discutir quem mais influenciou o punk: Sex Pistols ou Ramones?

2) Green Day — American Idiot

(Image courtesy of Reprise Records)

Você não quer ser um americano idiota? Com essa frase, é iniciado a música do Green Day, American Idiot com o álbum homônimo, considerado o melhor disco conceitual já produzido pela banda. Vale destacar que o grupo já estava consolidado no cenário da música desde a década de 90 com o lançamento do álbum Kerplunk (1992), no entanto, Billi Joe Armstrong, vocalista, queria mudar um pouco o conteúdo das composições da banda e colocar umas letras um pouco mais politizadas, nesse contexto, surge Warning (2000), o maior fracasso do Green Day.

Com o pouco interesse demonstrado pelo público sobre essa nova proposta musical lançada pela banda, o álbum literalmente fora jogado no lixo. Contudo, a ideia de compor um disco inteiramente politizado permaneceu com os integrantes do Green Day, assim, quatro anos após o fracassado lançamento de Warning surge American Idiot (2004). A principal mensagem mostrada nesse álbum é uma crítica contra a mídia pela alienação do público, além disso, as faixas refletem sobre o terrorismo em massa que o Estados Unidos exercia na Guerra do Iraque após o fatídico 11 de setembro.

O disco conseguiu atingir bastante popularidade, obteve várias músicas bem-sucedidas como: American Idiot, Wake Me Up When September Ends, Jesus of Suburbia, Holiday e Boulevard of Broken Dreams. Indubitavelmente, American Idiot é o melhor álbum que o Green Day já produziu, se tornando a assinatura da banda e sendo apresentado em listas como um dos melhores discos de rock.

1) Elis Regina — O Bêbado e a Equilibrista

Certamente, a ditadura militar brasileira influenciou vários artistas contra o regime político a compor músicas em repúdio ao sistema implementado na década de 60. Nessa época, era preciso utilizar de uma grande variedade de metáforas, pois, a intensa repressão ideológica e, consequentemente, perseguição política, devido à censura enfrentada naquela época, fazia com que os artistas que queriam demonstrar sua rejeição política a expressasse por meio de uma linguagem poética e figurada. Entre essas canções, uma das mais conhecidas sobre a resistência contra a ditadura militar brasileira foi O Bêbado e a Equilibrista, eternizada na voz de Elis Regina.

Durante uma breve análise da letra percebemos que na primeira estrofe da canção, há referências ao otimismo que o Brasil vivia no início da década de 1960. Aldir Blanc pode ter recorrido a uma figura poética em velhos temas, como o filme Luzes da Ribalta, com Carlitos, uma das personagens de Charlie Chaplin. Um andarilho de chapéu-coco, bigode e um paletó muito apertado que, apesar de pobre, agia como um cavalheiro. Nesse trecho, fica clara a contradição entre “bêbado” e “luto”: a alegria da pessoa que tenta driblar a situação e o estado melancólico da sociedade brasileira.

No entanto, a luz do progresso chega ao fim, pois “caía a tarde feito viaduto”. Essa passagem alude a duas tragédias semelhantes: O desabamento do Viaduto Paulo Frontin no Rio de Janeiro e de um pavilhão em Belo Horizonte, ambos ocorridos em 1971. Esse conjunto de construções correspondia ao “milagre econômico” que a ditadura tentava apresentar à população brasileira, porém, seus equívocos e acidentes, como estes dois denunciados metaforicamente na música não eram divulgados pela mídia da época e as vítimas dificilmente eram indenizadas pelo governo responsável. Além disso, “caía a tarde” nos remete ao horário do dia quando as sessões de tortura do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações — Centro de Operações de Defesa Interna) começavam.

O tema da segunda estrofe faz menção aos reflexos do passado. Assim, segue a noite, referida na terceira, quarta e quinta estrofe, denuncia em linguagem figurada e elaborada as consequências da ditaduras: torturas, exílios, desaparecimentos e famílias dilaceradas. Ademais, a Lua não tem brilho próprio, mas como proprietária do prostíbulo, rouba-o das suas empregadas; um brilho falso, que pode representar os políticos que se “venderam” ao regime militar, em troca de benefícios pessoais, com os recursos “roubados” do país. Em outro trecho podemos compreender que a metáfora do mata-borrão era referida aos determinados controles e atitudes punitivas para aqueles que “manchassem” a ordem presente na ditadura.

Alguns nomes foram apresentados na música: Henfil é o apelido do cartunista Henrique Filho que, exilado, era irmão de Herbert de Souza, o Betinho, sociólogo e ativista de direitos humanos, também perseguido e exilado, como tantos outros brasileiros. Clarice era esposa do jornalista Vladimir Herzog, que fazia parte do movimento de resistência contra o regime e teve um “suicídio” por enforcamento muito mal forjado em uma cela do DOI-CODI. Maria, por sua vez, era esposa do metalúrgico Manuel Fiel Filho, torturado até a morte sob a acusação de fazer parte do Partido Comunista Brasileiro, embora seu real crime tenha sido ler o jornal A Voz Operária. No plural, “Marias e Clarisses” são todas as mulheres, sejam mães, filhas ou esposas, que sofreram por alguém que fora torturado ou exilado. Além disso, destaca-se o tom de ironia ao rimar um refrão do Hino Nacional com Brasil, neste refrão, onde apresenta justamente um Estado que deveria nos proteger, mas que nos tortura.

Os artistas, não conformados com a opressão, usariam assim a expressão artística, como uma arma disponível para defender a democratização, em meio ao comportamento da sociedade, que vivia na corda bamba, sempre por um triz a ser pega fora da linha estipulada pelos militares. Mas em meio a essa corda bamba de incertezas, todos prosseguem com sua vida cotidiana. E a esperança é o que faz eles prosseguirem com a luta para seguir adiante; afinal, “… o show tem que continuar…”

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