Remake: Você ainda vai ver um, ou não

Por Erika Ribeiro

Uma coisa todos concordamos os remakes ou são muito bons ou muito ruins. A equivalência de versões ainda que permitida sempre será superior a anterior se está vier com a vontade de resolver questões como limitações dos efeitos da época, falta de grana, atores medíocres em papéis importantes e roteiros enrolados que atrapalharam a trama no seu todo, isso eu acho justo, pois mesmo a série indo ao ar de maneira idêntica a original, só esses detalhes “corrigidos” já a tornaria melhor que a original. Quando isso não ocorre é porque a série realmente foi um erro, um erro absurdo absoluto e retumbante.

Para melhor expor minha opinião vou pegar como parâmetro comparativo 2 séries que deram “errado”:

Melrose Place (2009)

A primeira, MP, para mim nem pode ser tratada como remake, pois ela “continua” a história iniciada na série original, mas todos tratam como se o fosse, talvez porque tenha sido isso o prometido inicialmente. Contudo, apesar das atuações primorosas de Ashlee Simpson, não é nem de longe comparável ao nível de insanidades da série original, que era mais uma novela mexicana com apenas os personagens evils. Ela tenta se aproximar do público da antiga “versão” trazendo os personagens que conhecemos, mas totalmente sem contexto crível, o que me incomoda em alguns casos (Jo??Jenny??) e tenta conseguir público novo trazendo toda uma vibe de séries adolescentes, mesmo que nessa série não haja adolescentes. Conseguindo assim não agradar ninguém.

A série peca por preterir os fãs da original em troca de uma tentativa desesperada de aproximação com do publico que o canal pretende atingir os fãs das séries do CW. Melrose se fosse respeitada e feita como a original garanto que os fãs do canal assistiriam e mais que novos telespectadores poderiam ser conquistados.

Bionic Woman (2007)

A Mulher Biônica foi uma das séries mais populares dos anos 70 e por isso acabou virando um clássico, com muitos fãs e entrou para o mundo dos mitos americanos e até mundial. Mas apesar disso tudo seu remake foi cancelado precocemente com apenas 9 episódios em sua temporada de estréia, esse foi um dos atos mais imbecis de uma emissora em muitos anos e explico o porquê.

A série na minha visão foi produzida com o carinho que era necessário, entretanto criou-se uma critica irracional a protagonista Michelle Ryan (Jaime Sommers) dizendo esta não tinha o carisma nem as qualidades da atriz original (Lindsay Wagner, uma das Lendas da TV), o que convenhamos era impossível para qualquer uma. A partir deste ponto de partida a emissora simplesmente se enfureceu com os índices de audiência e em vez de tentar algo apenas cancelou a série.

Agora porque digo que foi uma decisão precipitada e besta: A série era cara, trazia efeitos interessantes, tinha uma produção classe A, um elenco muito bom que incluía Isaiah Washington (Grey´s Anatony), Miguel Ferrer (Twin Peaks/ Crossing Jordan), Molly Price (Third Watch), Will Yun Lee (Elektra/Witchblade) e Kevin Rankin (Friday Night Lights) e mais, ainda possuía a vilã/antagonista super poderosa mais carismática possível Sarah Corvin vivida por Katee Sackhoff (Battlestar Galactica). Agora me digam porque cancelar e não tentar fechar 1 temporada inteira? Medo de perder patrocínio? Burricie? Ou mera preguiça? A série já tinha um público que só precisava amar alguém porque então não apelaram para qualquer outra tática de ficção cientifica que justificasse a saída da principal, temporariamente ou definitivamente, transferindo assim a capitania dos episódios a sua antagonista? Sendo que Sarah Corvin era uma personagem muito mais complexa e vivida por uma atriz conhecida, competente e musa dos fãs de sci-fi? “Não! Vamos cancelar joguemos a historia da série original em um limbo do qual não poderá sair por, no mínimo, mais uns 10 anos” ( tendo em vista que agora só se lembram do fiasco do remake e por esse irão julgar a sua historia inicial).

Eu vejo isso tudo sobre os três prismas do fracasso:

– O real, que pode ocorrer com qualquer série, seja ela remake ou não;
– O gerado pela falta de compromisso com os fãs, pois uma coisa é fazer algo sobre um seriado que tenha tido baixa repercução originalmente e tenha tido apenas 5 episódios, caso este em que caberia liberdade para mudanças. No entanto, sabemos que a maioria dos remakes são produções que tiveram um relativo sucesso ou no mínimo se tornaram cults. Com isso é sempre necessário se preocupar com os fãs, que curtiram e se identificaram com aqueles personagens. Agora se você (canal ou produtora) está pouco se lixando para isso então não faça, faça um reboot ou apenas faça algo autoral o que foi muito usado no passado e funcionava; e
– O criado pela pressa por resultados financeiros. Muitas séries começaram com péssimos indicies e depois se tornaram famosas e geraram franquias com zilhões de produtos.

A única certeza que tenho nisso tudo é que o imediatismo das emissoras pelo retorno de capital já está se tornando um problema ao banir para o esquecimento muitas produções de qualidade e com historias para contar por conta de números e não falo somente de alguns pobres remakes.

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