Sete Homens e Um Destino (2016) pega carona na onda dos remakes

Remake do remake de 1960, Sete Homens e Um Destino aposta na violência e no papel da mulher, em um filme onde os homens mandam.

Houve um período da história de Hollywood em que os famosos Western dominavam a preferência do público masculino. Clint Eastwood, Steve McQueen e tantos outros astros tiveram em seu currículo algum longa do gênero. Mas como tudo na vida vai mudando, o gênero acabou caindo no esquecimento do público e também na preferência. Eis que agora em 2016, a refilmagem de Sete Homens e Um Destino chega para dar uma nova roupagem ao clássico bang-bang.

Os habitantes de um pequeno vilarejo sofrem com os constantes ataques de um bando de pistoleiros. Revoltada com os saques, Emma Cullen (Haley Bennett) deseja justiça e pede auxílio ao pistoleiro Sam Chisolm (Denzel Washington), que reúne um grupo especialistas para contra-atacar os bandidos.

Para comandar essa ambiciosa refilmagem contrataram o experiente diretor Antoine Fuqua, que comandou o elogiadíssimo e premiado Dia de Treinamento, porém, o que acabamos vendo em tela é um resultado totalmente diferente do esperado.

A primeira cena do longa deixa bem claro a dura crítica feita para os empresários pós crise de 2008, ali temos o vilão interpretado pelo ator Peter Sarsgaard invadindo uma aldeia e recitando um discurso totalmente pró-capitalista enquanto que saqueia as casas dos aldeões.

Após isso, não há mais nada que não tenhamos já visto em outros filmes do próprio diretor ou em qualquer outro já feito em Hollywood.

Podemos notar também que a melancolia e o solidão do deserto presentes no longa de 1960 aqui simplesmente não existe. O carisma, o diálogo e as interações entre os aldeões e seus 7 justiceiros é construída de uma maneira tão rasa e superficial que fica difícil você acreditar naquele acontecimento.

O que temos nessa refilmagem é um emaranhado de cenas grotescas (como a cena do fígado de cervo) e uma violência muito maior do que o original. Ele também tinha a sua dose de violência, mas Fuqua conseguiu superar todos os limites brandos.

Esse remake é praticamente um filme de ação sem freios e que abusa das cenas de corte rápido, dos tiroteios intermináveis e de explosões, o que acaba transformando ele em não propriamente um filme western.

É literalmente aquele filme que passados duas horas após a sessão já não vamos mais lembrar dele, porque ele foi feito exatamente pra cativar o público durante o tempo de exibição da história e pronto.

Sobre os personagens podemos dizer que sim eles tem um fácil apelo do público e fica nítido para quem cada um vai torcer. Talvez ele funcione muito mais para aquele público que nunca viu o original e vai conseguir comprar a ideia do que para quem assistiu ao clássico.

O único dos sete homens que consegue realmente ter o destaque merecido e uma atuação sóbria é o protagonista vivido por Denzel Washington, que nos entrega um sábio, sereno e ex-militar do Norte na Guerra de Secessão, já o restante do elenco está praticamente idêntico a tantos outros personagens que já fizeram.

Chris Pratt parece que nunca vai se livrar do arquétipo de narcisista, debochado e inconsequente e Ethan Hawk, sempre vai ser aquele personagem individualista, egoísta e misterioso. O que sobra do elenco, inclusive do ator Vicent D’Onofrio, são atuações tão coadjuvantes que nem sequer nos preocupamos.

Diferente do original onde as mulheres praticamente passavam despercebidas, Fuqua conseguiu reverter essa situação e nos apresenta uma coprotagonista independente, forte e determinada a fazer justiça em nome de sua família.

O destaque de seus 130min talvez seja a cena final, na qual ficamos angustiados e torcendo (mesmo que em vão) para que nosso herói favorito não morra. Ela é muito bem executada e toda aquela tensão consegue manter a atenção do público.

Sete Homens e Um Destino poderia resgatar o velho faroeste que há tempos se encontra perdido em Hollywood mas infelizmente não será dessa vez que o gênero retornará as telonas do cinema.

Mesmo tendo seus erros, o longa não é ruim e consegue vender a sua proposta: entretenimento para fãs de tiroteio, explosões e perseguições. O resto, é tudo aquilo que já estamos a encontrar em tantos outros filmes.

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