Sex and the City não inventou nada!

Há que se ter muito mais do que um par de saltos e uma bela cor de batom na boca para fazer sucesso. E quem pensa que Carrie Bradshaw e suas amigas foram as desbravadoras do mundo feminino nas séries de TV, está muito enganado. As quatro amigas baladeiras foram é muito favorecidas por tudo o que veio antes, sem menosprezar.

Mas depois de séries como Golden Girls, I Love Lucy e até mesmo As Panteras, o quarteto não fez mais do que sua obrigação expandindo a discussão que envolve o universo feminino em particular. Sem entrar em méritos sexistas, feministas, femistas e até mesmo machistas.

Tô escrevendo tudo isso afinal em duas semanas seremos inundados por Sex and The City, que no dia 28 de maio estreia seu segundo longa metragem — filme que virá provar que para escandalizar em Dubai não precisa ser nenhuma Hebe Camargo. Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda estarão conosco em breve.

Mas fico me perguntando: o que seria das quatro na época de Barbara Eden, a Jeannie de Jeannie é um Gênio? Alguns críticos da época afirmam que a atriz foi forçada a esconder seu umbigo, que teimava em aparecer enquanto a mesma fazia seus gestos de mágica. Um horror, meu Brasil! Um horror! Umbigo na TV é inaceitável!!!

Há quem diga que Eden passou a usar um figurino com muito mais peças de lenços para esconder sua barriga de grávida, mas a atriz diz que foi censura mesmo — seu umbigo notório foi percebido apenas na terceira temporada.

E ainda assim, há quem torça o nariz para os caminhos que as séries antigas abriram. Mas nunca ninguém torcerá o nariz tão bem quanto Elizabeth Montgomery, A Feiticeira! Este grande sucesso trazia outra mulher fenomenal que encantou e encanta gerações até hoje. Nem mesmo a troca de atores que interpretaram o personagem James Stephens (marido da feiticeira) apagou o brilho da série, que durou cinco temporadas com Dick York no papel, e mais três com Dick Sargent — ambos parecidos não só pelo nome. Isso é que é Girl Power!

E se você acha que Miranda, a advogada de SATC é durona, não viu nada! Não fosse Honey West, provavelmente a melhor amiga de Carrie seria uma dona-de-casa qualquer. West, interpretada por Anne Francis, foi a primeira mulher a assumir um cargo tido como masculino em uma série de TV. A detetive protagonista da série que tinha seu nome não se deixava intimidar e mostrava que de frágil seu sexo não tinha nem nunca teve nada.

Aliás, a Mulher Biônica é outra prova disso. Tudo bem que a personagem Jaime Sommers precisou morrer para virar biônica, mas toda tecnologia empregada para ressuscitar a personagem de Lindsay Wagner fez valer o dinheiro investido neste spin off de Ciborgue, O Homem de Seis Milhões de Dólares — E depois dizem que mulher é que gasta! E olha que a Biônica nem foi a única poderosa da TV! Talvez a mais conhecida seja Diana Prince, a Mulher Maravilha, uma das primeiras séries de super heróis da história — clássico dos anos 70.

E mesmo que nossas atuais heroínas em crises românticas andem em bando, elas não foram as primeiras nesta modinha. A série de Aaron Spelling, As Panteras, já trazia um grupo de mulheres enfrentando situações muito mais perigosas do que escrever sobre sua vida sexual num jornal, terminar o namoro por post it ou ter que dividir a cama com um brocha. E se as nova iorquinas estão acostumadas com o que há de bom e de melhor, o trio de detetives dos anos 70 não deixava barato: diversos roteiristas foram demitidos por não apresentar histórias que o elenco principal da série achasse satisfatórias.

Pelo menos não tanto quanto eram os roteiros maravilhosos de Golden Girls, as Super Gatas da maioridade — muito mais pioneiras do que SATC no quesito ‘mulher velha falando de sexo’, diga-se de passagem. O grupo de velhinhas da NBC era formado por quatro senhoras que moravam juntas numa casa em Miami, tendo a mãe de uma delas como companhia, afinal ainda era cedo pra ser o amigo gay! Uma das melhores comédias de todos os tempos.

E para encerrar, não se pode deixar de falar na mulher mais especial de todos os tempos: Lucille Ball, a poderosa da comédia. Além de ter inserido o termo sitcom no contexto televisivo, a comédia I Love Lucy foi também quem instituiu os convidados especiais nas séries de TV, uma vez que vários astros do cinema faziam questão de participar do seriado dela. O mais interessante é que ao invés de mostrar uma mulher glamourosa, independente e poderosa, Lucy era uma simples e engraçada dona-de-casa.

Contudo, não quero tirar o mérito de Darren Star com seu carro desenfreado que é Sex and the City. Nunca houve tanto avanço na discussão dos temas femininos como quando esta série esteve no ar — alguns até irritando muitas mulheres pela liberdade sexual presente na boca de suas protagonistas. A turma de Carrie tem seu mérito, claro. Assim como muitas outras personagens que deixei de citar. Prova de tamanho sucesso é o fato da série ser lembrada e comentada até hoje.

E que chegue logo o dia 28!

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