Sobre o “recorde” de público de Os Dez Mandamentos

#GONGSHOW estranha cinemas vazios para os três milhões de ingressos vendidos previamente do filme Os Dez Mandamentos.

Antes de começar essa #GONGSHOW, um minuto de silêncio para os 45 anos de Alessandra Negrini arrasando no Carnaval paulista e pelo fato de eu ter 33 anos e já estar parcialmente flácido:

Lacrando enquanto a gente nem fez 40 e tá todo flácido

Se alguém tiver a receita do que a deixou assim, me fala. Se precisar correr 42 km por dia e ingerir quinoa e lichia, eu aceito. Tô topando qualquer negócio para poder usar minha fantasia de Adão no próximo carnaval.

E daí que no último final de semana estreou em cinemas de todo o Brasil o longa metragem Os Dez Mandamentos, baseado na novela homônima (sempre quis usar esse termo). Na verdade, não foi bem baseado. O que aconteceu foi que eles pegaram a novela, condensaram em alguns minutos, jogaram na tela grande, disseram que criaram um final diferente e falaram que era filme. “Muita gente” comprou a história e foi ao cinema.

Muita gente entre aspas, né?

Desde que foi anunciada a venda de mais de três milhões de ingressos antecipados do filme, notei que alguma coisa não cheirava bem. Ainda lembro de que, por muitos anos, Dona Flor e seus dois maridos era a maior bilheteria do cinema nacional. Ah, Sonia Braga… embalando os sonhos noturnos de muitos rapagotes na década de 70.

Mas como duvidar dos números? Poxa, três milhões de ingressos vendidos é uma marca impressionante. Hashtags como #ChupaGlobo voltaram a todo vapor. Era a vingança dos recalcados e dos mimizentos comemorando o sucesso de uma trama pífia amparada da religiosidade e no falso moralismo imperante na sociedade atual.

Sim, porque comemorar o sucesso de algo como Os Dez Mandamentos chega ser ridículo. Pensar em Pantanal, Éramos Seis e Xica da Silva, que abalaram a hegemonia dramatúrgica da Vênus Platinada, é reconfortante para alma em busca de boas produções. Pensar em Os Dez Mandamentos e só refletir o desespero do público em busca de uma trama capaz de acalmar a hipocrisia do moralismo reinante.

Não demorou muito para pulular na net imagens de sessões com ingressos esgotados praticamente vazias. Como explicar então o impressionante número de três milhões de ingressos vendidos se não havia público suficiente nos cinemas?

Muito simples. Para impressionar, porque o povo gosta de número, os apoiadores do filme fizeram um esforço hercúleo para isso. Igrejas incentivavam seus fiéis a comprarem ingressos do filme. Elas mesmas adquiriram muitos bilhetes e distribuíram gratuitamente entre os fiéis. Na verdade, uma grande farsa esses três milhões.

Um pouco mais de Negrini pra salvar Os Dez Mandamentos

Acho muito mais válidos os dez milhões de brasileiros que pagaram para ir ao cinema ver Dona Flor e seus dois maridos na década de 70. Ou então aqueles que pagaram para ir ver o filme da Xuxa. Ou então as comédias bobas da Globo Filmes. Esses números são bem mais honestos que aqueles ostentados por Os Dez Mandamentos. Como tudo que envolve esse surto moralista, são os números mais hipócritas que eu já vi.

Ah, sobre o filme, tem uma crítica ótima aqui. Sobre o restante, Alessandra Negrini fez muito mais pelos brasileiros que os frames de Os Dez Mandamentos.

Sobre o Autor

Avatar

BOXPOP

Site especializado em cultura pop, fundado em agosto de 2007. Confira nossos podcasts, vídeos no youtube e posts em redes sociais. Interessados em contribuir como autor no site podem entrar em contato: contato@boxpop.com.br

Deixe um comentário

clique para comentar

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

OUÇA O BOXCAST

VIDEOCAST

A Fazenda voltou e o que esperamos? Memes! Mas será que os novos memes superam estes??? Clique e assista agora.

Será que você sobreviveria em American Horror Story 1984? Assista ao vídeo e prepare-se para a nova temporada.

Curiosidades de Euphoria, a série BAFOOOO da HBO.

SEJA UM PADRINHO!

Contribua!

OUÇA ACABEI DE LER