SPOILER: Tenha uma boa morte!

O episódio 14 da sexta temporada de Lost teve uma matança de personagens — 3 do elenco principal e um que já estávamos apegados — e isso provocou várias discussões, mas a que me chamou a atenção foi um artigo do TV.com falando sobre como as mortes de personagens podem ser boas, mesmo que nos doam.

No caso, o jornalista falava sobre Buffy, mas como eu nunca vi a série (um dia eu chego lá, comecei os clássicos dos anos 90 por Arquivo X), resolvi falar sobre as mortes mais recentes que deram uma alavancada em duas séries que estavam passando por momentos delicados.

Começando por House. Na quarta temporada da série, Dr House resolveu promover uma competição — um tipo de reality show — para preencher as vagas deixadas por Chase e Cameron em sua equipe. E entre os muitos candidatos, incluindo Thirteen e Taub que continuam por lá, destacava-se Amber, a Cutthroat Bitch, uma obstinada candidata que não media esforços para ficar com uma das vagas.

Exatamente por ser uma bitch e ter um gênio muito parecido com o de House, ela era a personagem que amávamos odiar e que ficou ainda mais em evidência quando o intrometido médico descobriu que seu melhor amigo, o pacato oncologista Wilson, estava de caso com ela.

Olhando hoje, podemos perceber claramente que a personagem foi cuidadosamente conduzida até o season finale criando vínculos e cativando o público com um único objetivo: morrer.

Os dois episódios finais daquela temporada foram avassaladores. A lenta partida de Amber provocada (em partes) por House deixou os espectadores chocados e o sofrimento de Wilson nos cortou o coração. E sua morte não foi apenas um mero cliffhanger de season finale. Ela teve reflexos até o final da quinta temporada, na forma de um dos efeitos colaterais da dependência de House em Vicodin e ainda ecoa nesta sexta enquanto ele luta contra o vício e os fantasmas de seu passado.

O outro caso de morte que foi boa para trama aconteceu nesta temporada de 24 Horas. Claro que a morte mais chocante da série sempre será a de Teri, mulher de Jack, lá nos minutos finais da primeira temporada. Ninguém poderia imaginar que uma das personagens principais, alguém tão próximo ao herói, seria brutalmente assassinada assim, logo de saída, mas foi exatamente o que aconteceu.

E parece que Jack não tem mesmo sorte com as mulheres. Na sétima temporada, fomos apresentados a Renee Walker, uma agente do FBI que segue as regras e, por isso, bate de frente com nosso herói, que está em Washington ajudando a pegar o vilão da vez. Claro que desse aflora uma uma certa tensão sexual, mas Renee só segue os passos de Jack no quesito “tolerância zero” com bandidos.

Começa a oitava temporada e tudo que queremos é que a durona Renee volte para ajudar Jack e, sendo essa a última temporada da série, para dar a ele um merecido final feliz. Infelizmente, estamos falando de 24 Horas e não há tempo para finais felizes ali. Ao término de um episódio morno em que Jack e Renee, com sentimento de dever cumprido, finalmente se entregam a paixão, o perigo bate novamente à porta de Jack, melhor dizendo, ele entra pela janela e acerta em cheio o peito dela.

Assim, como Amber, Renee também não morre na hora. Jack ainda tem tempo de sair desesperado carregando-a nos braços até o hospital, onde momentos (de angústia) depois recebe a notícia de que ela não resistiu… O famoso relógio que marca o final dos episódios vem na sequeência, silencioso, como se ele, assim como muitos fãs, tivesse ficado tão chocado com o desfecho que mal conseguia esboçar reação.

O resultado dessa perda, que ocorreu no episódio 17, é um Jack Bauer totalmente implacável, sem limites. Para aqueles que achavam que ele estava muito calminho (para os seus padrões) e super obediente às ordens da presidente Taylor, essa versão “sangue no zóio” está conseguindo o que parecia impossível na série: atingir níveis de crueldade e frieza ainda maiores do que os vistos nestes quase oito anos.

Nos dois casos, as mortes beneficiaram suas respectivas séries, deram um novo gás a histórias já fatigadas e mais profundidade aos dramas vividos por seus personagens, . Tudo isso acaba por renovar o interesse do público, que mesmo chateado, não há de abandonar seus heróis no momento em que eles mais precisam.

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