Tem como quebrar a quarta parede de um livro? Deadpool Dog Park responde.

Deadpool Dog Park trás toda a excentricidade de Deadpool em um livro fora dos padrões.

CADE A #$%@ DAS FIGURAS?” WILSON, Wade

Deadpool. Um anti-herói com personalidade completamente distorcida, vive sofrendo alucinações e assassino. Claro, é o mercenário tagarela. Você acha que o Homem Aranha sabe fazer piadinhas a cada situação embaraçosa? Bom, o Deadpool faz mais.

Em Dog Park, história inédita, o Mercenário Tagarela precisa salvar o mundo de filhotinhos de cãezinhos “super fofos”. Sim, salvar o mundo, porque eles se transformam e monstros imensos.

Contratado pela S.H.I.E.L.D., ele tem a missão de encontrar todos os cãezinhos da lista e levar para a organização com o máximo de discrição possível. Isso envolve não destruir nada, mas, bem, apesar de toda a habilidade e destreza dele, isso não acontece.

Dotado de um fator de cura incrível, ele vai quebrando ossos, decepando membros e dissolvendo órgãos, mas tudo bem, porque com tempo tudo volta ao normal.

O mais interessante aqui, além de todo o non-sense do personagem, é como o autor, Stefan Petrucha, se apropria bem das características dos quadrinhos para criar essa experiência em prosa. Conhecido por dialogar com o leitor, Deadpool constantemente faz uso da metalinguagem, deixando claro que sabe que está em uma HQ/livro.

Nada dessa porcaria de Enquanto isso, lá no rancho. Se você vê o desenho de um cofre de banco numa página inteira, não vai supor que a ação tá rolando numa loja de conveniência, concorda?” WILSON, Wade

Narrada em primeira pessoa, o anti-herói divide as páginas com suas múltiplas personalidades — e até com o autor, Petrucha — a história se desenvolve dando brechas para as alucinações. Vira e mexe ele perde o foco do que está contando e começa a divagar sobre traumas de infância. Faz diversas referências culturais, cria inúmeros apelidos para cada cãozinho e até recebe um convidado ilustre.

Ninguém! Hã, por quê?

Droga. Esqueci do travessão.

– Ninguém, Em! Hã, por quê?” WILSON, Wade

É constante a sensação de, em vez de estar lendo, estar dialogando com Wade Wilson, que se apropria muitíssimo bem do formato da história para deixar tudo muito atraente, mesmo que para isso precise aumentar sem inventar. Ok. Ok.

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Thiago de Carvalho Rêgo

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