The Flash 2×23 — The Race of His Life (Season Finale)

Precisamos falar sobre The Race of His Life. E sobre a temporada completa.

The Race of His Life, o último episódio desta temporada de The Flash, finalmente foi exibido nos Estados Unidos no dia 24 de maio e encerrou a narrativa de forma satisfatória. Nada além disso.

Após passar por poucas e boas, e inclusive perder pessoas importantes da sua vida, Barry se vê obrigado a ceder às exigências de Zoom e partir para uma corrida que pode custar sua vida (algo que já foi trabalhado inúmeras vezes ao logo dos dois anos da série). Porém, antes de isso acontecer, a equipe que sempre esteve ao lado do velocista escarlate tomou uma decisão interessante, mas arriscada. E é aí que começam os problemas de roteiro da season finale, e digo mais, da temporada inteira.

A decisão de manter Barry fora do plano de parar de uma vez por todas seu maior inimigo foi algo muito interessante de se assistir. Vimos um time unido, que usou as melhores habilidades de cada um para um propósito comum. Porém, essa estratégia teve pouquíssimo tempo de tela e poderia ser usada durante um período maior ao longo da temporada. Por mais que Barry seja o protagonista, é extremamente importante o desenvolvimento de outros personagens que fazem parte de sua história.

Zoom finalmente foi derrotado e outro mistério que ele escondia finalmente foi revelado: a identidade do homem da máscara de ferro. Quem estava na prisão da Terra 2 era o verdadeiro Jay Garrick, que também é o doppleganger de Herny Allen. A escolha dos roteiristas de colocar o ator John Wesley Shipp como um velocista pela segunda vez em sua carreira (o ator deu vida a Barry Allen na finada série dos anos 90) foi uma homenagem muito bonita. Mas, ao enviarem ele para a sua terra natal novamente, as chances de vê-lo com Barry correndo juntos para combater meta humanos são mínimas, uma vez que Shipp participa da série apenas como convidado recorrente. O que é uma pena. Com certeza Jay teria muito a ensinar a Barry. Pausa para uma pergunta sobre este momento do episódio: como o Flash da era de ouro dos quadrinhos saiu da Terra 2 e foi parar nos laboratórios S.T.A.R? Quando Zoom voltou da Terra 2 com Joe, o até então “homem da máscara ferro” não tinha aparecido após a conversa que ele teve com o pai de Íris. Então, como ele voltou?

The Flash sempre foi uma série que se manteve fiel aos quadrinhos, cheia de easter eggs e que sempre homenageou quem fez parte da história do personagem, seja nas páginas das histórias do personagem nas HQ’s ou, na televisão. Contudo, ao longo desse segundo ano do programa, alguns erros graves aconteceram.

Ao anunciarem durante a Comic Con de 2015 a inserção de Patty Spivot (interpretada maravilhosamente por Shantel Van Saten), de Jay Garrick (Teddy Sears — que deu um show de interpretação ao dar vida a duas figuras icônicas e tão diferentes), de Wally West e Jessy Quick (Keiynan Lonsdale e Violet Beane ficaram com a difícil tarefa de dar vida aos personagens), uma expectativa imensa foi criada. E infelizmente, isso não foi superado. Cada um deles tem uma importância enorme na trajetória do velocista escarlate e o único personagem bem aproveitado foi o vilão da temporada.

Patty, uma moça linda e inteligente — que mostrou como o poder feminino pode ajudar na narrativa do programa, foi embora muito cedo para a tristeza dos fãs (inclusive a minha) e, até o momento, nenhuma menção sobre a volta da policial foi feita por parte dos roteiristas. Os novos velocistas (Wally e Jessy) não correram pelas ruas de Central City e apenas foram meros coadjuvantes para apoiar histórias baseadas nos personagens que já conhecíamos por causa da primeira temporada, como Harrison Wells, Cisco e até mesmo, Barry. E isso é um grande problema. O público sempre quer ver mais. E com qualidade. Isso não aconteceu.

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Ao analisar a segunda temporada completa, é visível que os personagens que mais se desenvolveram foram Barry, Cisco e Wells. O primeiro aprendeu a usar seus poderes de novas maneiras, percorreu novas terras e soube usar sua habilidade de voltar no tempo a seu favor. Já o segundo começou a perceber o quão valiosa é a sua habilidade de ver e prever situações, e também, de abrir portais, e como isso pode ajudar o time Flash. Por fim, o terceiro se mostrou como um homem de personalidade dúbia, que está disposto a fazer de tudo para alcançar seus objetivos e para proteger sua filha.

Mas, há outros personagens do elenco fixo que também mereciam um desenvolvimento maior. Caitlin, por exemplo, passou mais uma vez por um drama romântico que pode ou não acrescentar em sua narrativa no ano três, já que ela disse em um dos capítulos que não sabe mais se encontrará a luz após passar por tanto tempo na escuridão. Também é preciso falar sobre Íris. Ela teve poucos momentos como jornalista, função que pode ajudar muito nas missões de Barry. Durante toda a temporada ela passou por diversos dramas pessoais e isso foi importante para que ela crescesse. Porém,como ela mostrou em poucos episódios, como Fast Lane, ela pode sim, ser badass e ainda, ser a filha de Joe, e por que não, a namorada de Barry?

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The Flash está longe de ser uma série ruim, pelo contrário, mas, precisa ser mais corajosa e dar espaço a outros personagens e desenvolvê-los com inteligência. Sempre avaliei os episódios separados de maneira positiva ou até mesmo excelente, porém, ao assistir à season finale e analisar a narrativa como um todo, percebi que os roteiristas tiveram medo. Medo de aproveitarem mais a Terra 2, um cenário tão rico que rendeu os ótimos episódios Welcome to Earth 2 ( sim, este realmente foi o melhor de todos) e Escape from the Earth 2. Medo de colocar os novos personagens em destaque e de deixar de lado os meta-humanos que não fazem muita diferença na narrativa.

Com o final do segundo ano, The Flash se propõe a adaptar um dos arcos mais marcantes da história do personagem: Flashpoint. E os problemas já começam por ai. Por fazer parte do mesmo universo de Arrow, Legends of Tomorrow e até mesmo, Supergirl (que agora faz parte da grade de programação da The CW), os fãs já esperam que a narrativa da terceira temporada repare os erros cometidos nas séries do Arqueiro Verde e da Garota de Aço.

Entretanto, há várias questões que precisam de resposta: haverá tempo para isso acontecer? Isso será feito de forma correta? É preciso resolver os problemas internos antes de resolver aquilo que está errado em outras produções. Ao escolherem seguir esse caminho para a terceira temporada, a série criou mais uma vez uma expectativa enorme perante os fãs. Mas, para superá-la, é preciso perder o medo de ousar e colocar Barry e mais velocistas (os reais e não as versões alternativas, ou vilões se passando por eles), como Kid Flash, Jessy Quick e até Jay Garrick, para correr pelas ruas de Central City, e, desenvolver os outros personagens fixos para que a série volte aos bons tempos. Run, Barry. Run. O ano três já chegou.

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