The Life of Pablo evidencia a megalomania de Kanye West

Em The Life of Pablo, Kanye tenta balancear os versos e as batidas.

Kanye West é um nome que, na grande maioria das vezes, vem acompanhado de polêmica. Seja por suas atitudes, suas letras controversas ou por suas brigas no Twitter. O que não pode ser negado, porém, é o talento do rapper.

Com seu novo álbum, The Life of Pablo, Kanye alcançou pela sétima vez seguida o topo da Billboard nos Estados Unidos, e dessa vez com um feito inédito no mundo da música: é a primeira vez na história que um CD alcança o primeiro lugar com base mais em streams do que em vendas.

Debaixo dessa armadura egocêntrica e megalomaníaca há um gênio da música, e recordes como o quebrado com esse álbum provam isso. Mas será que The Life of Pablo vai além do hype?

The Life of Pablo evidencia a megalomania de Kanye West

Ultralight Beam: A linearidade do instrumental carece de um momento de explosão que vem apenas no momento dos vocais fortes de Kelly Price. Os convidados especiais (e o coral do refrão) se destacam mais que o próprio Kanye. E talvez esse fosse justamente o objetivo.

Father Stretch My Hands Pt.1: Mais uma produção sem grandes firulas, mas dessa vez com o destaque certo para o artista principal. A participação de Kid Cudi dá um toque especial.

Pt. 2: A impressão de que a música anterior termina cedo demais se deve à sua continuação, que pode ser ouvida aqui. A sacada de dividir a canção em duas funciona muito bem, já que nessa segunda parte ela realmente tem outra vibe. No entanto, os últimos vinte segundos, cheios de experimentações musicais, são dispensáveis.

Famous: Talvez a canção mais polêmica da trakclist, com letra machista e citação a Taylor Swift, é também um dos maiores destaques do disco. Por outro lado, o refrão fraco com os vocais de Rihanna são engolidos pelo resto do instrumental.

Feedback: Outro destaque do álbum já vem logo em seguida. Mais uma produção interessante, com instrumental forte.

Low Lights: O discurso motivacional religioso que serve como um tipo de interlude é exatamente o tipo de coisa que se espera de um disco do Kanye.

Hihglights: Aqui o excesso de autotune no refrão incomoda. O verso com vocais limpos faz um ótimo contraponto, dá a sensação de ser o verso mais longo de Kanye no CD todo até agora.

Freestyle 4: A letra altamente sexual funciona bem com as batidas pesadas da segunda metade da canção. Infelizmente é mais uma que termina antes do que devia.

I Love Kanye: A brincadeira que serve de interlude é uma resposta aos fãs saudosos da época em que o artista se preocupava em ser mais radiofônico e não se levava tão a sério.

Waves: Parece uma faixa descartada do My Beautiful Dark Twisted Fantasy, uma tentativa não muito bem sucedida de recuperar a genialidade do disco de 2010, melhor trabalho do Kanye até então. Peca por dar espaço demais ao convidado, Chris Brown.

FML: Só a partir do refrão com os vocais do The Weeknd é que a música ganha vida. A participação, no entanto, poderia ter sido melhor aproveitada.

Real Friends: Um dos poucos momentos do disco que remetem ao Kanye do início da carreira, em que o rap é prioridade. O instrumental leve sob os versos prova que não é preciso batidas malucas para uma boa música.

Wolves: Se em outras músicas os featurings receberam espaço demais, neste caso a participação da Sia merecia ser maior. Um refrão ou verso mais longo na voz dela seria muito bem vindo. Uma das poucas em que a produção está no ponto certo.

Frank’s Track: Essa interlude serve apenas para que os fãs de Frank Ocean matem um pouquinho a saudade e fiquem ainda mais ansioso pelo novo álbum que parece não vir nunca.

Siiiiiiiiilver Surffffeeeeer Intermission: É óbvio que Kanye ia aproveitar a oportunidade de um lançamento musical para cutucar alguns desafetos do Twitter. Nesse rápido interlude, é possível ouvir Max B dando suporte ao Kanye após Wiz Khalifa ter iniciado uma discussão na internet envolvendo seu nome e o, até então, nome do álbum do senhor West, que seria intitulado Waves.

30 Hours: O CD é meio carente de mais faixas como essa, com rap puro.

No More Parties in LA: Quando Kanye West chama Kendrick Lamar para uma música, as expectativas são altas, e, neste caso, foram atendidas. Os mais de seis minutos de duração parecem compensar pelas outras canções curtas demais.

Facts: A homenagem a Jumpman de Drake e Future fala sobre as brigas de Kanye no mercado dos tênis (sim, ele arruma treta em todo canto). Os versos citando Adidas e Nike são despretensiosos e divertidos.

Fade: A vibe divertida da música se deve aos samples usados. Apesar de parecer meio bagunçada em determinados momentos, destaca-se do resto da tracklist.

Apesar de ter 19 músicas, um número alto para os padrões da músicas pop atual, The Life of Pablo não chega a nem uma hora de duração. Tirando uma ou outra exceção, as faixas são curtas demais, principalmente para os padrões do hip-hop. Isso normalmente acontece para se adaptar melhor às rádios, que costumam encurtar canções, mas este definitivamente não é o caso.

Mesmo que o álbum seja “menos pesado” que seu antecessor, Yeezus, ainda não chega ao ponto de ter hits instantâneos como Niggas In Paris, All of the Lights ou Gold Digger. E o artista parece querer justamente isso, se distanciar cada vez mais dos sons radiofônicos.

O que Kanye precisa se atentar, no entanto, é às superproduções. Diversas vezes os instrumentais se sobrepõem aos versos, com as batidas chamando muito mais atenção que as letras. Ele precisa se lembrar que, antes de ser um produtor, é um rapper.

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