The Maxx: Menos músculo, mais cérebro

Seguindo o sucesso de Beavis and Butt-head e do Liquid Television, a MTV se permitiu criar um novo segmento de animações “bizarras” para o público adulto, era o MTV Oddities.

The Head, O Cabeção aqui nas terras tupiniquins, migrou de sua estréia na Liquid Television para o MTV Oddities e foi seguida por The Maxx, que é a nossa bola da vez aqui no Box Animado.

The Maxx foi originalmente criado por Sam Kieth para os quadrinhos da Image, também casa de Spawn, fato que gerou diversas discussões sobre as semelhanças entre os anti-heróis. Apesar de fisicamente lembrar Spawn, as semelhanças terminam por aí, já que Maxx tem personalidade própria e a temática das histórias é completamente diferente.

The Maxx, um grandalhão de roupas púrpuras e garras afiadas no lugar dos dedos médios, foi adaptado para a TV em

1995 e contou com 13 episódios que refletiam parte da história apresentada nos quadrinhos. Maxx era antes um homem comum, que após ser atropelado pela assistente social Julie e ser abandonado em um beco, recebe poderes vindos de uma máscara.

Esses poderes permitem a Maxx transitar entre o mundo que conhecemos e uma outra realidade, conhecida como Pangea ou Outback (não, não é o restaurante, mas os vastos desertos australianos), onde age como protetor da Rainha Leopardo, alter ego de Julie.

Maxx, diferente de Julie, mantém consciência de sua existência em ambas realidades, mas não é o único, Mr. Gore, o antagonista da série, também transita entre as realidades e detêm um conhecimento muito maior da real relação entre Maxx e Julie.

The Maxx, apesar de baseado em um quadrinho sobre “super-heróis”, não se trata de uma animação de ação desmedida, muito pelo contrário. A temática é muito mais psicológica e trata dos conflitos interiores dos protagonistas sem cair em estereótipos.

Seja na figura do super-herói cheio de conflitos que expressa suas reflexões em voz alta, dormindo em caixas de papelão pelas ruas, ou então na figura da assistente social com suas crises financeiras e existenciais, e com suas roupas “provocantes” (será que prestaríamos mais atenção nas assistentes sociais se todas se vestissem assim?), em The Maxx tudo parece se encaixar.

Além do roteiro bem construído, outro destaque vai para a arte utilizada na produção dos episódios, que mescla diversas técnicas de animação, desde os traços tradicionais até a animação gerada por computador, passando também pelo uso de atores reais interagindo com a animação (muito mais sutil que O Fantástico Mundo de Bobby). Tudo isso contribui para a imersão nesse mundo de surtos psicóticos criado pelos personagens.

Na dublagem, um fato curioso é que tanto Michael Haley quanto Glynnis Talken (dubladores de Maxx e Julie, respectivamente), voltaram a trabalhar juntos um ano mais tarde no RPG de Ação para PC, Diablo. Glynnis trabalhou ainda em outros jogos bem conhecidos do público nerd/ gamer — Warcraft e Starcraft.

Apesar de não ter feito muito sucesso entre o grande público devido à sua história mais cerebral e ter contado com apenas 13 episódios, é um desperdício não prestigiar The Maxx. Ainda mais que os episódios podem ser conferidos gratuitamente, na íntegra (em inglês) no site da MTV americana.

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