The Vampire Diaries, a realeza do drama sobrenatural

Eu estava certo sobre Mystic Falls: há mal aqui… Eu posso sentir em todos os lugares.”— Saltzman, Alaric

Quando propus ao senhor Caio Fochetto a coluna “Você Precisa Assistir…”, minha ideia inicial era abordar sobre séries não tão populares e idolatradas ou séries que nunca tiveram chances de serem analisadas aqui no Box, como comédias e reality shows. Nunca pensei que um texto sobre The Vampire Diaries seria postado nesta coluna, pois a narrativa de Elena, Stefan, Damon e companhia são um aclamadíssimo hit mundial que contagiou os fãs de séries de forma ligeira. Desconsiderando o sucesso da trama, o principal motivo pelo qual escrevo sobre a série do CW e seus vampirinhos é o preconceito (cujo pensei já ter sido extinguido) que ainda existe quando o assunto é The Vampire Diaries. De verdade, eu não culpo quem julga precipitadamente a série, uma vez que fora criada na era Crepúsculo e é exibida no canal mais canalha, e de qualidade duvidosa, da televisão americana. Felizmente, The Vampire Diaries não é uma série que se baseia em pré-conceitos, e talvez por isso, é uma das melhores séries da atualidade.

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Meses após o trágico acidente de carro que matou seus pais, Elena Gilbert tem que aprender a lidar com o luto e tocar sua vida adiante. Elena sempre foi a garota perfeita, popular, bonita e cheia de amigos, mas agora ela precisa aprender a esconder sua tristeza do mundo. Quando o novo ano escolar começa, Elena e o novato Stefan Salvatore rapidamente se aproximam sem que a garota saiba que o rapaz é um vampiro. Mal sabe ela os interesses de Stefan e seu irmão diabólico, Damon, em conquistar seu coração — e consumir sua alma.

O quão teen tosco soou a sinopse dessa narrativa? De fato, o atrativo maior de The Vampire Diaries não vem por meio da premissa base do plot; é o cumprir de todos os itens (roteiro, elenco e trilha sonora) que impulsiona a série para um patamar inigualável de qualidade.

O primeiro êxito da série é desfrutar de um ponto positivo em séries adolescentes: a trilha sonora. As narrativas mais joviais têm quase como regra apresentar uma seleção musical que reúne os hits da atualidade e casa-los com a essência de cada cena. Se The Vampire Diaries apresenta um motivo para ser rotulada como dona de um enredo teen, o excelente aproveitamento do repertório é um argumento plausível.

E então, encerra-se o pedaço adolescente que compõe a série. Ao contrário do que muitos pensam, The Vampire Diaries não é uma série mergulhada completamente na vibe de seu canal hospedeiro, o CW. E o responsável por essa fuga abrupta é o seu roteiro rico, ágil e intrigante. Os truques e artimanhas da escrita de Julie Plec e Kevin Williamson para cativar são dignas de adoração mediante a perfeição atingida ao passar longe dos esteriótipos de dramas adolescentes.

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Francamente, o roteiro não é vítima de poucas qualidades e se concretiza como o melhor motivo para desconsiderar o rótulo adolescente de The Vampire Diaries. De fato, certos pequenissímos clichês teen se misturam ao eventos da série, mas tornam-se ignoráveis ao embarcarem no ritmo, tramas e mitologia da série.

O que mais impressiona primeiramente na série é o ritmo do desenvolvimento de tudo, o que influencia muito na qualificação do roteiro. A (oni)presença da agilidade, plot twists e ganchos se posicionam como um fator dominante nos dotes do progresso capítulo a capítulo.

Apesar do ritmo implacável, o gênesis de tramas de Elena e seus amores não é o melhor, uma vez que o drama pacato da menina sofrida e órfã vivenciando um romance meloso reside nos capítulos por uma dezena de episódios iniciais. É após uma sequência de quase meia temporada que a verdadeira forma da série mostra a cara: tramas preenchidas com doses de suspense e uma boa porção de drama leve, porém caótico. Os arcos de The Vampire Diaries são cativantes e maduros; o balanceamento perfeito para uma fórmula implacável.

O diferencial das tramas também está sobre o alicerce na qual se baseiam junto ao ritmo e características marcantes, como o suspense e drama citados acima. Como uma série fantasiosa, o apoio para o desenrolar é extremamente dependente da mitologia criada, cuja no caso, é impecável. A reunião de flashbacks, artifícios mágicos, linhagens sanguíneas e raças sobrenaturais enriquecem as tramas da série assim que encaixadas em meio as reviravoltas de seus acontecimentos.

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Se o roteiro é digno de diversos méritos, o mesmo pode se dizer da equipe quem compõe o elenco de The Vampire Diaries. A primeira vista, o cast recheado de rostos jovens podem alimentar ainda mais o preconceito contra a série, mas a surpresa vêm ao assistirmos o crescer de certas atuações durante os quatros anos de história. Nomes como Nina Dobrev (chuva de prêmios para ela, por favor!), Ian Somerhalder, Candice Accola, Claire Holt e Joseph Morgan roubam qualquer cena assim que fazem suas aparições.

Não se diferenciando do usual televisivo, o elenco não é composto somente de gênios da atuação, porém mantém-se agradável pelo casamento entre seus interpretes e as personalidades fictícias; uma virtude para esconder certas atuações caricatas, como a de Michael Trevino. De tal maneira, o núcleo de atores intermediários também têm seus momentos de ouro durante a trama, como Paul Wesley durante o terceiro ano da série… No final, a grande maioria da equipe convence e surpreende, por mais mediana que seja sua atuação.

E, ainda sim, se você não gosta do elenco de The Vampire Diaries, não se pode negar que o mesmo não é composto por gente bonita, gostosa e cheia de saúde beldades.

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Infelizmente, a alta qualidade da série tem sua linearidade interrompida em sua quarta temporada. A saída do genial Kevin Williamson e o descaso de Julie Plec resultaram em furos e mais furos aliados à quebra de ritmo e mitologia enfraquecida.

Com Williamson envolvido na produção de The Following e Plec investindo sua atenção em The Originals e The Tomorrow People, o enredo de The Vampire Diaries virou palco para um troca-troca de roteiristas a cada episódio; ninguém fora colocado como fixo, e então, episódios desconexos, tramas inconsistentes e resoluções absurdas vieram como consequência.

O grande arco da temporada tinha proposta promissora, mas o desenvolvimento pífio e frustrante fizeram das sub-tramas os únicos grandes pontos positivos da temporada. O nível The Vampire Diaries de qualidade restaurou-se apenas em sua reta final, quando Caroline Dries (possível futura roteirista da série) manuseou tudo com suas mãos hábeis para recriar a série e apresentar um desfecho digno. De fato, Dries trouxe a esperança para o retorno de tudo o que The Vampire Diaries já foi e já fez com maestria para seu quinto ano.

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Sim, esse texto será vítima de muita piada, mas isso não anulará o fato de a série é fantástica em sua quase totalidade. The Vampire Diaries é uma produção que vai contra tudo e todos por ser dona de uma ousadia e qualidade geralmente não valorizadas por ser exibida por um canal pequeno (e zoado) como o CW. É uma série grande, de muitos méritos e prejudicada por certo preconceito que impera. Novamente, é uma narrativa de ritmo impiedoso cercado por um roteiro equilibrado e rico devido à uma ótima mitologia e tramas maduras e bem desenvolvidas.

Oh, não tem problema você amar os dois… Eu amei. — Katherine

Sim, o único motivo da existência de The Vampire Diaries foi o sucesso de Crepúsculo e sua divulgação foi também impulsionada pela mídia e tabloides voltados para a juventude, um par de argumentos justificáveis para causar repulsão. Mas a série apresenta motivos para conquistar desde um jovem até um adulto, o que não a faz uma série apenas para adolescentes. Desculpe True Blood, mas é The Vampire Diaries a rainha do gênero dramático sobrenatural nos dias de hoje. Não acredita? Ouse conferir o primeiro ano da série e, ao ignorar o preconceito, assistirá todas as mentiras infames sobre a série se transformarem em um mito desfeito e completamente inválido.

Curiosidades

# Quer saber mais sobre essa adorada série do CW? Confira 15 curiosidades sangrentas de The Vampire Diaries.

# Não deixe de ler também a seleção do Box sobre os Melhores Episódios da 1ª a 3ª temporada de The Vampire Diaries.

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