The X-Files 03×11 — Revelations

Revelations reflete sobre o poder da fé.

Como é que você está disposto a arriscar a própria vida toda vez que vê uma luz no céu, mas não quer aceitar a possibilidade de um milagre?DANA, Scully

Revelations está repleto de símbolos católicos. E basta lembrar da grande repercussão de filmes como Stigmatta ou Constantine para perceber que o misticismo desta vertente cristã ainda desperta curiosidade. Principalmente do público majoritariamente protestante dos EUA, cuja doutrina já nasceu basicamente com a ascensão da ‘era da razão’.

Por isso, o fato de Scully ser católica traz uma faceta interessante para a personagem. Adepta do método científico, seu ceticismo diante dos fenômenos investigados pelos Arquivos X parece o contraponto perfeito para justificar a permanência do departamento numa agência federal de investigação.

Porém, mesmo com toda a necessidade de embasamento científico em sua profissão, ela se rende à fé. É um conflito apresentado de forma suave, com a interpretação de Gillian Anderson sendo o diferencial para transmitir veracidade ao público.

Finalmente, neste episódio, temos uma criança que não assusta. Pelo contrário, a fragilidade de Kevin como se soubesse, mas não compreendesse, o fenômeno que se passa com ele, desperta sentimento de compaixão, tornando natural o interesse quase materno que Scully demonstra.

O catecismo católico é citado e tudo o que acontece no episódio está lá: desde os estigmas, os falsos profetas, a representação do anti-cristo (na figura de alguém respeitado e poderoso, ou seja, acima de suspeitas), a ideia do corpo incorruptível (e existem vários casos na história do catolicismo), o mártir que se sacrifica pela fé, aquele que anuncia, mas é tido como insano.

É um tema forte, principalmente porque traz uma criança sangrando por feridas que simbolizam as chagas de Cristo. Ainda assim, as crianças e o próprio Owens conseguem trazer leveza a história. Um ar de inocência que contrasta com Gates, que apesar de não ter uma caracterização assustadora, convence com sua interpretação sóbria (até sombria).

Outro sentimento que o episódio desperta é o de angústia, na figura dos pais do garoto. A mãe consegue passar aquele sentimento de impotência que o desconhecido traz. Já o pai nos comove por ser porta-voz de uma verdade que ninguém quer ouvir.

Se, na maior parte das vezes a excessiva predisposição a acreditar de Mulder é questionável, aqui é Scully que passa por isso. Ele é um crédulo, mas é ateu. Em casos que envolvem questões religiosas as posições se invertem. Torna-se justificável o questionamento dela sobre a relutância dele em ver o que está diante de si, mesmo que inexplicável.

O que fazer quando os sinais mostram uma direção contrária ao que a razão indica? Revelations é um pedido angustiado de Scully para que Mulder consiga enxergar o que ela vê. Afinal, se ele é o crédulo e não consegue ser tocado por aquele fenômeno, não estaria ela sendo enganada pela própria vontade de acreditar?

E ela faz exatamente o que Mulder faria (e fez tantas vezes) quando se depara com algo em que realmente acredita. Seguir sua intuição — e salvar o garoto — mostra o quanto a parceria deles continua sendo uma troca e que os mistérios não estão apenas fora da Terra mas ao nosso redor.

Curiosidades dos Bastidores:

Revelações é o nome dado ao Livro do Apocalipse na tradução inglesa da Bíblia;

– Sobre o episódio, Chris Carter disse: “O episódio trata da fé, e não da Religião com “R” maiúsculo ou do Catolicismo com “C” maiúsculo. (…) Para mim, a idéia de fé é a verdadeira espinha dorsal de toda a série — fé em nossas próprias crenças e nas idéias a respeito da verdade, de maneira que sempre existem alguns tons de religião no programa (…) Esta é uma área mais sensível na televisão, porque corremos o risco de irritar certas pessoas, mas eu acho que conseguimos tratar o tema de tal maneira que a coisa se baseou na crença em milagres, ou na falta dessa crença — e colocamos tudo diante de um fundo de paranormalidade, ou seja, ‘Por que Mulder pode acreditar em coisas que acontecem durante a noite e, quando Scully acredita em milagres, ele a contradiz?’. Acho que foi a justaposição de uma coisa com a outra que fez o episódio tornar-se interessante”.

– Os estigmas, ou ferimentos de Cristo, já vêm sendo relatados entre os crentes há várias centenas de anos. O mais famoso estigmatizado de todos foi São Francisco de Assis (1182–1226), o primeiro caso desse fenômeno. Ele sangrou pelas mãos, pelos pés e pelo peito, durante os dois últimos anos de sua vida.

Fiquem com as cenas do próximo episódio:

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