The X-Files 10×02 — Founder’s Mutation

Seguindo a fórmula de sucesso, Founder’s Mutation traz o primeiro ‘monstro da semana’ da 10ª temporada.

Uma mãe nunca esquece.” — SCULLY, Dana.

Nos moldes antigos, uma temporada de The X-Files chegava a ter 24 episódios, onde se tinha tempo para muita coisa: episódios mitológicos, cômicos e muitos ‘monstros da semana’. Dessa vez temos apenas 6 deles. Um número muito pequeno para que algum seja desperdiçado, talvez por isso a première tenha sido tão intensa. Founder’s Mutation não ficou atrás.

A forma continua a mesma, um monstro da semana (ou melhor, uma dupla). Mas como plano de fundo temos uma grande questão para os protagonistas: a gravidez de Scully, o nascimento e o envio de William para a adoção.

Uma das críticas que se fez ao personagem de Duchovny na época foi a pouca ligação emocional com o suposto filho que teve com sua parceira. Muitos associavam isso ao fato de o ator já não querer mais estar em The X-Files. Inclusive, lançando dúvidas sobre a real paternidade da criança. A resposta para isso foi dada na 9ª temporada, no 2º filme e agora, quando os dois mencionam o filho que tiveram juntos. Parece não restar mais dúvida.

Scully, desde as primeiras temporadas, sempre foi sensível às crianças. O desejo pela maternidade sendo uma característica marcante, o que deu peso ao fato de ter ficado estéril após sua abdução. Por isso, vemos sua atenção ao caso crescer, quando passa da investigação de um suicídio para a descoberta de experiências com crianças.

Pareceu tão familiar vê-los entrar no local do crime, serem barrados por uma burocracia cheia de segundas intenções e ainda assim conseguirem esgueirar-se pelas informações, usando de conhecimentos pessoais para atingir seus objetivos. Assim como não foi novidade vê-los desvendar todo o caso, presenciar fatos extraordinários e não ter provas para embasar seus relatórios finais.

Fouder’s mutation mostra também que a série está se permitindo ser mais gore. As cenas estão mais gráficas no que se refere á sangue e dor. Num universo televisivo acostumado à zumbis e guerras medievais, não faz mais sentido autocensurar-se como acontecia no passado.

Apesar de o cenário ter mudado, parece permanecer intacta a dualidade do ser humano que esconde suas piores atrocidades por trás das melhores intensões. O que mais choca, nesse caso é o uso de crianças para experimentos em nome de uma ciência que foge à ética. Principalmente no que tange às atitudes do pai com seus filhos.

Sobre a narrativa, percebe-se que o elo sempre rompe do lado mais frágil, que foram o cientista morto e a esposa do Dr. Goldman (Doug Savant), Jackie (Rebecca Wisocky), mas ainda assim, sempre será possível seguir os rastros da corrente, mesmo que inicialmente tudo esteja disperso, para depois o quebra-cabeça ser formado. Por mais perigoso que seja, os protagonistas tem vontade e coragem para seguir adiante, principalmente pelo compromisso pessoal que assumiram com a Verdade.

Uma esfera pessoal que, negligenciada, muitas vezes é vivenciada na fantasia. Impossível não se emocionar com o sonho de Scully envolvendo o desejo de ter seu filho junto de si. Por mais forte que ela pareça, a dor está ali, visível no seu olhar. A decisão tomada ao dar William para adoção pode ter parecido a mais acertada, mas a insegurança e a incerteza das possibilidades continuam a atormentá-la.

Porém, esse episódio resolveu mostrar também um lado desconhecido de Mulder. Ele que sempre pareceu tão distante, mostrou que tudo é apenas fachada, uma forma de dar suporte para Scully. Em uma história onde o romance sempre foi ‘intelectual’, foi diante de uma declaração cuidadosa que conseguimos entrar um pouco mais nos sentimentos dele.

Mulder sempre fará tudo para proteger Scully (a recíproca sendo verdadeira). Diante de todas as perdas que ele já viveu, ela nunca será ‘apenas alguma coisa para ele’, mas sim sua ‘única em 5 bilhões’ (como disse uma vez na 5ª temporada).

Mas, por trás dos muros que ele construiu também existem sonhos. Mulder nunca teve uma relação paterna satisfatória. William Mulder sempre foi distante e depois, ao descobrir que C. G. B. Spender (vulgo, Canceroso) é seu pai biológico, foi como um tapete puxado sob ele.

Por tudo isso, comove ver que seus sonhos sobre a relação que teria com seu próprio filho dizem respeito a coisas tão simples quanto assistir um filme ou brincar junto. Carinho e cumplicidade são seus verdadeiros desejos ao pensar em William. Tudo isso torna o público ainda mais sensível à perda dos dois. Se uma mãe nunca esquece, parece que um pai também não.

Quanto aos gêmeos, muitas perguntas ainda restam. Chris Carter não costuma deixar pontas soltas, então é possível que eles voltem. Talvez, tudo tenha uma interligação maior com a conspiração. São muitas possibilidades para poucos episódios. The X-Files está vindo com tudo para cima do público!

Considerações Finais:

– Scully e Mulder projetam suas próprias personalidades nas fantasias com William. Ela, em um ambiente ‘acadêmico’, cujo maior medo é de que ele se machuque. Já Mulder, imagina seu filho tendo também interesse pelo espaço, e temendo perdê-lo como aconteceu com sua irmã.

– Como é bom rever os dois sentados na sala do Skinner, recebendo instruções, conspirando junto com seu chefe e levando bronca do alto escalão do FBI.

A seguir a promo do episódio 10×03:

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