The X-Files 10×04 — Home Again

Um emocionante adeus para Margareth Scully em Home Again.

Meu filho também se chamava William” — SCULLY, Margareth

Após 23 anos é possível afirmar, categoricamente, que Dana Scully é uma mulher resistente ao sofrimento. Mulder já chegou ‘quebrado’ aos Arquivos X, mas foi após seu ingresso ali que ela perdeu, gradativamente, as coisas mais importantes de sua vida: seu pai , sua liberdade, sua irmã, sua saúde e finalmente, seu filho. Diante de tudo isso de um lado, havia Mulder para lhe dar suporte, já que ambos faziam (e ainda fazem) isso mutuamente. Do outro, havia sua mãe.

Margareth Scully (Sheila Larken) nunca foi uma personagem regular, mas sua presença sempre se fez sentir na série. Sua figura fazendo-se refletir na filha, não foi preciso muitas aparições para que ela cativasse os fãs. Ela era forte, leal, otimista e, acima de tudo, respeitava as escolhas feitas por sua filha. Diferente de Bill Jr. (irmão da Scully), nunca acusou Mulder de nada, pois sabia que tudo o que Scully fazia era por vontade própria. Mesmo a química entre Margareth e Mulder (a quem ela chamava de Fox) fluiu tranquila e amistosa. Era visível o quanto ela gostava dele.

Por tudo isso, é difícil para os fãs terem que dizer adeus a essa personagem e ver Scully desmoronar como nunca tinha feito antes. A todos que já perderam um ente amado é possível entender a negação (a cena em que Scully manda os maqueiros que viriam buscar o corpo de sua mãe voltar, sendo amparada por Mulder, é de uma intensidade imensa), o desejo por mais alguns minutos para uma última conversa sobre todas as perguntas não respondidas e a importância de um abraço, um lugar de conforto.

Mas ela quer voltar ao trabalho. É isso o que faz, desde a primeira tribulação. Das primeiras vezes em que isso aconteceu, Mulder apenas aceitou, dessa vez ele questionou, sabendo que ali estava uma questão bem mais profunda. Acontece que Dana Scully é uma mulher decidida, ela faz aquilo que diz. Ser profissional não significa passar por cima de sua dor. Estar em movimento é uma forma de lidar com seus próprios demônios.

O tema para esse monstro da semana já havia sido abordado na 6ª temporada de The X-Files. A ideia de uma energia psíquica que se materializa e usa da violência para seus objetivos apareceu primeiramente no episódio Arcadia, por isso é estranho que Mulder pareça tão cético em relação a isso.

Ainda assim, funciona. Mantém a estética gore que os episódios assumiram nesse revival e traz elementos de edição de cena que nunca tinham sido abordados na série: como o foco da câmera quando Scully desce as escadas, que diz muito do turbilhão que ela estava sentindo e também o fundo musical para o assassinato de Nancy Huff (Peggy Jo Jacobs) já comum em outras produções. É The X-Files se atualizando.

Mas o grande momento em que se justifica a ideia desse monstro é no discurso de seu criador, quando ao se referir a uma questão social, na verdade fala sobre o íntimo de cada um de nós e, claro, Scully toma todas as palavras para ela.

Cada vez mais podemos perceber que esse revival não se trata de mitologia e monstros, mas sim de Mulder, Scully, sua relação e a questão sobre William. Não foi o diagnóstico de depressão que afetou o relacionamento entre eles, mas o não dito sobre o filho deles. Um sentimento que foi sendo alimentando na psique dos protagonistas e tomou forma em atitudes que os levaram à separação.

Mulder and Scully meet the were-monster foi sobre Mulder, sua capacidade de se encantar novamente pelo fantástico. Já Home again é sobre Scully e maternidade. Estar diante da perda de sua mãe só coloca mais lenha numa brasa que está se avivando cada vez mais. Afinal, não há nada mais inquietante do que as possibilidades não vividas ou o remorso da não aceitação.

As últimas palavras de Margareth são muito significativas. Sim, ela teve um filho chamado William (que está a um continente de distância), perdeu uma filha para morte (Melissa), outro para a vida (o Charlie, que nunca apareceu, só foi mencionado) e mais uma para os Arquivos X. Quando ela abre os olhos e volta-se para Mulder (cujo nome do meio também é William) é praticamente um chamado.

Está na hora de retomar essa responsabilidade que eles têm em conjunto. A última cena é quase um retorno à intimidade que tinham antes. E não existiria forma mais explícita de demonstrar isso do que Scully chamando Mulder de Fox (algo que só aconteceu uma vez durante as 9 temporadas). Todas as dúvidas dela naquele discurso e o silêncio eloquente dele, ou mesmo suas poucas palavras (como quando chega ao hospital e apenas diz ‘estou aqui’), são os primeiros passos para um reencontro.

Uma curiosidade é que esse episódio foi gravado para ser o segundo do revival. O que faria muito mais sentido, quando depois de tanto tempo distantes, eles se voltam para o conforto um do outro. Como se estivessem indo para casa novamente.

A seguir, cenas do próximo episódio:

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