The X-Files 10×05 — Babylon

Babylon coloca Mulder e Scully diante do terror e das maravilhas.

Ninguém aqui além dos menos procurados do FBI! Eu esperei 23 anos para dizer isso.” — SCULLY, Dana.

O terrorismo tornou-se um dos maiores fantasmas para a população estadunidense e The X-Files — que segue atualizando-se nos temas — utiliza-o como gatilho para reflexões íntimas. Fugindo do estereótipo dos terroristas, no teaser, acompanhamos o cotidiano de um ‘jovem comum’, que sofre bullying por ser diferente, cuja fé em uma ideologia é tão forte, que o faz caminhar para a morte.

A forma como o atentado foi mostrado merece destaque positivo. É como se ao vê-los entrando no prédio, enquanto a vida seguia lá fora, com pessoas sem a menor ideia do que acontecerá, nos tornasse cumplices do ato, forçando a implicação e reflexão do público.

Toda tensão é suspensa na cena após a abertura. Primeiramente, temos a cena memorável onde Scully repete a mesma frase (autodepreciativa) dita por Mulder no dia em que foram apresentados. Dar à personagem oportunidade de dizer aquelas palavras é como o reconhecimento de que, apesar das ainda divergirem em opiniões e métodos, os Arquivos X também são propriedade dela, por mérito próprio.

Finalmente conhecemos os agentes Miller (Robbie Amell) e Einstein (Lauren Ambrose). Foi praticamente como colocar Mulder e Scully diante de um espelho que refletia o passado. Desde a caracterização física, à linguagem utilizada, as referências nos nomes até o diálogo rápido, afiado e difícil de acompanhar. Tudo culminando com o olhar de reconhecimento que os dois trocaram.

Se você pudesse voltar 20 anos atrás, que conselhos daria ao seu ‘eu’? Babylon deu essa oportunidade a Mulder e Scully… Pelo menos, simbolicamente. A ‘parceria trocada’ entre os dois casais mostrou em um único episódio, o processo que levou 9 temporadas. Mulder e Scully plantaram profundas transformações um no outro, sem que perdessem as próprias identidades.

Miller é idealista, sensível e aberto às possibilidades extremas. A Scully madura mostrou para ele as possibilidades do método e da razão, sem que fosse perdida a sensibilidade diante do sofrimento ou a curiosidade por formas alternativas de investigação.

Einstein é arrogante, inflexível (até um pouco mais que Scully quando começou) e excessivamente racional. Ser confrontada com as ideias e raciocínio ágil de Mulder pode ter parecido inicialmente ineficaz, mas, é impossível não surpreender-se diante das maravilhas. E ele consegue deixa-la (e a todos nós) sem respostas diante de suas convicções.

Para os fãs, incomoda que Einstein tenha julgado Scully tão rapidamente. Obviamente, em algum lugar da jornada, ela apaixonou-se por Mulder (com recíproca verdadeira), mas há profundidade nos motivos e consequências vividos por nossa protagonista. E parece que Einstein compreendeu isso. O diálogo final entre ela e Miller lembra muito aqueles trocados entre Mulder e Scully nas primeiras temporadas.

Em Babylon fomos presenteados com uma das sequências mais vergonha alheia inesperadas de toda a série. Não que isso tenha sido ruim. Foi ótimo acompanhar Mulder em sua trip muito louca alucinação — causada apenas por sua vontade de acreditar.

Muitas referências interessantes sobre a personalidade dele. Toda a sequência da dança, uma clara indicação de sua crise de meia idade. A saudade d’Os Pistoleiros Solitários (RIP Langley, Bayers, Frohike…) que, assim como Skinner sempre estão presentes nas alucinações de Mulder. A abdução, seu gosto peculiar por temas sexuais (assunto sempre pincelado durante as 9 temporadas), o Canceroso e sua crueldade… Para finalmente chegarmos ao objetivo.

Interessante que tenha sido através de uma imagem cristã (Pietá de Michelangelo) o contato com o terrorista e sua mãe, ambos mulçumanos, numa imagem que demonstra devoção, amor incondicional. Apenas uma fala daquela mulher diante seu filho moribundo foi poderosa o suficiente para desmentir o equívoco de se associar a lógica do terror à religião islâmica. Ela fala sobre Alá como um Deus de amor. É a redenção do jovem.

Segundo a mitologia, na Babilônia foi construída a Torre de Babel, motivo pelo qual a comunicação entre os homens foi distorcida. E esse foi o tema de todo o episódio: a mensagem do islã distorcida, a comunicação entre os jovens agentes, incompatível, a resposta dada á Mulder na alucinação e o distanciamento entre ele e Scully.

Scully pede que ele fale com ela. Mulder pede que ela caminhe com ele. Cada um atende ao pedido do outro. Enquanto falam sobre os mistérios da divindade, demonstram que a distância entre eles já não existe. As barreiras físicas abolidas pelas mãos unidas e as dificuldades de comunicação substituídas por sorrisos e compreensão.

Vale ressaltar o uso da trilha sonora nesse episódio, com as músicas interagindo com os personagens e os cenários. Outro ponto foi a caracterização do jovem, excelente do pescoço para cima, mas como não haver queimaduras no tórax de uma vítima de explosão? Descuido, talvez.

E de mãos dadas Mulder e Scully caminham para o episódio final desse tão aguardado revival. Possivelmente, os fãs não terão as respostas para todas as questões que a série deixou em aberto. Resta torcer para que a verdade ainda esteja lá, para ser revelada em mais uma temporada. Não custa sonhar.

Segue o promo do season finale:

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