The X-Files 10×06 — My Struggle II

Em My Struggle II, Scully luta contra A Verdade.

Seu DNA, Dana.Você está segura. Você é parte de uma elite de escolhidos.” REYS, Mônica.

Nove anos de teorias da conspiração, monstros, um forte relacionamento entre Mulder e Scully e foi a partir de duas ‘piadas internas’ que Chris Carter fundamentou essa season finale. Não houve tempo para construção de uma tensão. Quando o episódio começou, já caímos de cabeça nos acontecimentos. Mesmo assim, não foi incômodo. Afinal, a season première ainda estava fresquinha em nossas memórias.

My struggle foi sobre a luta de Mulder em retomar a energia que havia perdido. Quando suas forças haviam se esgotado, a verdade bateu em sua porta, sem máscaras. Tudo o que aconteceu antes foi apresentado em um novo ponto de vista (num cenário mais cruel que o anterior). My struggle II é sobre a luta de Scully. Sobre aceitar a si mesma, quebrar paradigmas pessoais. Aqui, ela finalmente consegue entender tudo aquilo a que foi submetida durante seu tempo nos Arquivos X.

No monólogo do início do episódio, espelhando o de Mulder na première, Dana Scully, em sua voz tranquila, explica sua trajetória nos Arquivos X, para terminar naquilo que ela mais temia: a certeza de sua condição alienígena. Lembrando que em Founder’s Mutation seu temor também estende-se para seu filho.

O episódio começa com Mulder desaparecido. Ele sempre faz isso, age por conta própria, principalmente quando acha que Scully corre algum risco. Foi interessante ver como os agentes Miller e Einstein foram aproveitados na trama. A interação entre Einstein e Scully aconteceu de forma bastante natural, trazendo o que The X-Files sempre teve como diferencial: a possibilidade de explicações científicas para o extraordinário.

Já quanto ao agente Miller, seu personagem ainda não apresentou a força necessária para que nos importemos, realmente, com ele. E nem sabemos se haverá chance para isso.

Tudo nesse episódio lembrou muito aqueles filmes sobre epidemias desconhecidas e mortais. A notícia do vírus e de seu mecanismo (convenhamos, que a teoria foi bem desenvolvida) foi um fechamento para as temporadas anteriores. A verdade revelada por Mulder em The Truth, de que um cataclismo aconteceria em 2012, parecia ter se perdido no vácuo, mas foi retomada aqui, sem que perdesse o sentido.

E eis que Scully é, realmente, imortal! Uma grande ‘piada interna’ que se iniciou lá na terceira temporada e depois reafirmada na no sétimo ano. Tantos foram os riscos que ela correu (incluindo um câncer) para descobrirmos que ela é uma das poucas pessoas capazes de sobreviver diante do tal vírus. Só é estranho que uma vacina tenha sido formulada tão rápido, mas… Vamos dar o crédito, pois estamos falando da super Scully (que vai salvar o mundo).

Enquanto o programa de Tad O’Malley serviu como uma janela que, ao mesmo tempo representava nossa perplexidade diante das epidemias e também nos dava uma visão de como suas consequências eram sentidas em âmbito macro, Mulder nos levava em um tour para compreender o mecanismo interno e os objetivos de tudo aquilo. Claro que só podia ser obra do Canceroso. Aquele personagem a quem amamos odiar.

Quando foi anunciada sua presença no revival questionou-se ‘como’ ele teria sobrevivido a um míssil. Essa pergunta ainda não foi bem respondida, mas, ao menos houve uma tentativa de retratar as sequelas do incidente.

Monica Reyes (aliada dos protagonistas desde a oitava temporada), cuja figura lembrou Diana Folley (ex-agente do FBI, ex-esposa de Mulder, inimiga declarada de Scully e de todos os fãs da série) explicou aquilo o que todos nós sabíamos: o Canceroso ama seu filho e maior inimigo, Mulder (complexo de Star Wars). Durante toda a série não faltaram oportunidades de eliminar a ameaça que Mulder representava para ele e seus planos, mas ele não o fez. Na verdade, direcionou todo o caminho para a verdade, dentro de seus próprios termos, claro.

Já na primeira temporada, o Canceroso sabia que Scully era um problema, pois havia se tornado o ponto fraco e pedra de sustentação de Mulder. Mesmo tendo chances, ao invés de eliminá-la, tornou-a forte, invencível ao seu vírus. Se isso foi planejado ou algo que lhe saiu do controle, ainda não sabemos. A questão é que, mesmo tendo sido abduzido e passado por experiências, Mulder não possui imunidade. Mais angústia de uma questão em aberto (ele já morreu uma vez na série, o que impediria Chris Carter de fazê-lo em definitivo?).

Durante um bom tempo, pensou-se que Mulder possuía algo de especial que teria sido transmitido a William, e por isso ele apresentava características incomuns, mesmo ainda sendo bebê. Agora tudo é subvertido ao sabermos que, na verdade, a herança veio da Scully.

Não foi apenas uma vez em que ela esteve em perigo e Mulder procurou seu inimigo buscando um acordo para salvá-la. Ainda assim, ele recusa um acordo para salvar a si mesmo. Somente por Scully ele é capaz de abandonar sua própria dignidade ou senso de sobrevivência, sendo a recíproca verdadeira. Se isso não é uma prova de amor incondicional, nada mais será.

Ah, e sobre a grande piada interna número 2, Chris Carter (junto com os roteiristas) sempre disse que a série acabaria quando uma de duas coisas acontecessem: Mulder e Scully se beijassem (quanto a isso, ele teve que morder a língua se retratar) ou quando Scully visse um óvni. Bom, ela viu. E por isso, ele é um fanfarrão, terminando esse episódio com um dos maiores cliffingers de toda a história da televisão mundial (ok, pode ter um pouco de exagero aí).

A verdade, nós já conhecemos, mas ainda há tanta coisa para ser respondida que esse finale acabou se transformando em uma incrível jogada de marketing. Sobre uma nova temporada? A Fox quer, o próprio Chris Carter também, David Duchovny já expressou-se a favor, assim como Gillian Anderson… E o público precisa disso.

Saber o paradeiro de William nunca foi tão necessário. O sentimento de proteção que Scully tem com seu filho conflitará diretamente com sua obsessão pelo bem estar de Mulder. Fora que, não é possível que o Canceroso saia vitorioso dessa.

Enquanto para os fãs, ficou a sensação de estar faltando um ‘to be continued’ ou uma cena pós-créditos, na certeza de que o show ainda tem fôlego para, pelo menos, mais uma temporada. Agora é torcer para que as benditas agendas consigam sincronizar. Todos os fãs querem acreditar.

Curiosidades dos Bastidores:

– 23 de fevereiro é o aniversário de Dana Scully.

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