The X-Files 3×05 — The List

A vida é o preço a se pagar pela injustiça, em The list

Como é se sentir no corredor da morte, Warden?” ROQUE, Sammon

Se tem uma coisa que dá medo nos seres humanos é a certeza da morte. Ninguém está acostumado com essa ideia, por isso, tudo o que fazemos em nossa vida é uma tentativa vã de nos eternizar. Seja pelo nosso trabalho, legado que deixamos, filhos etc.

Não saber a data em que esse evento ocorrerá é um fantasma na vida de muita gente. Mas, será que saber o exato momento nos tranquilizaria? Provavelmente não, para a maior parte das pessoas e certamente não para o prisioneiro Neech Manley em The X-Files.

Por mais hediondo que seja o crime cometido por alguém, a ideia de caminhar por um corredor, cujo final é uma cadeira elétrica e a sentença de morte, nos faz pensar sobre esse terror diante do acontecimento mais natural da vida, após o nascimento. Talvez seja no sofrimento que esse sentimento causa, que resida a lógica da pena de morte.

Não é que Manley quisesse negar seus crimes. Se ele era tão religioso quanto o roteiro afirma, certamente já tinha adquirido consciência sobre seus atos. O que justifica a lista dos alvos de sua vingança é mais o senso de justiça — talvez equivocado — que o personagem tinha.

Se ele estava sendo condenado à morte pelos crimes cometidos, por que aqueles que deviam representar a lei, e tem o comportamento tão desumano quanto os detentos, deveriam ficar impunes?

The List é como uma grande ciranda trágica. O senso deturpado de justiça faz vítimas que vão além da lista original. Cada personagem paga, de forma extrema, pelos pecados cometidos. Enquanto isso, Mulder e Scully não passam de meros espectadores, tentando reunir peças, mas perdendo os encaixes. No final, sua presença naquela investigação foi completamente indiferente.

Embora os caminhos da investigação tivessem levado a uma suposição correta, o apego às evidências descaracterizou o caso enquanto um Arquivo X. Aliás, como não se apegar às evidências físicas que se apresentaram? Até o Mulder se deixou levar por elas. Tudo apontava para os argumentos que a Scully defendia. Ela, uma mulher, que tendo uma postura tão forte, não deixou de ser vítima da visão machista que predominava na prisão.

Uma metáfora interessante é a das larvas de mosca que surgiam nos cadáveres. Remetendo ao “senhor das moscas”, um trocadilho hebraico para o Belzebu, o Diabo. A quem estão associados todos os tipos de maldade e injustiça.

No fim, talvez todos estivessem cegos para o que realmente estava acontecendo. As vítimas, a esposa de Neech, seu namorado, os agentes e bem mais o diretor da prisão. Tendo os poderes a ele cabíveis fazendo com que ele igualasse suas ações às dos detentos que ele julgava monstruosos.

Curiosidades dos Bastidores:

– Foram usados grãos de arroz em lugar dos vermes, mas houve necessidade de colocar vermes verdadeiros sobre alguns falsos cadáveres.

– A presença dos vermes nas cenas foi motivo de incômodo para alguns atores: “Até agora os vermes têm sido a coisa mais difícil de enfrentar” diz Gillian Anderson. “Eles são a coisa mais desagradável que se pode imaginar”.

– O ator Denny Arnold, primeira vítima, foi simplesmente maquiado para se parecer com um cadáver, e teve de ficar deitado enquanto os vermes caminhavam sobre sua pele.

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A seguir, cenas do próximo episódio:

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