The X-Files 3×17 — Pusher

Pusher mostra que nem sempre devemos confiar em nossas vontades.

Favor, explicar a natureza científica do feitiço.” SCULLY, Dana.

Pusher é dos episódios clássicos de The X-Files. Praticamente uma unanimidade entre os preferidos dos fãs. Não faz parte da mitologia e, aparentemente, tinha tudo para ser apenas mais um ‘monstro da semana’ a desafiar as já muito exaltadas habilidades de Fox Mulder. Mas há algo diferente em Robert Patrick Modell (Robert Wisden). Podemos dizer que ele está para Mulder assim como Donald Pfaster (Nick Chinlund) está para Scully.

Diferente do que acontece em Grotesque, aqui não vemos um Mulder mergulhado na loucura do caso. Pelo contrário, ele permanece cada vez mais analítico e confiante do perfil que traçou. Modell é, realmente, esse personagem medíocre (e quando usamos esse adjetivo, consideramos seu significado como ‘aquele que está na média’, ou seja, que não se destaca), que almeja a grandeza.

Quem nunca sonhou em dominar a vontade alheia? Talvez só por um momento, ou somente de uma pessoa em específico. Pensar que podemos influenciar comportamentos é muito poderoso. Uma arma mortal na mão de um psicopata.

Considerando que a filosofia oriental trata basicamente da ‘abertura’ da mente e integração com o todo, faz todo o sentido a associação que Modell faz de seu poder mutante com o budo japonês. A questão é que, esquecendo-se do real sentido do pensamento oriental e na sua ânsia por sentir-se superior, ele faz de suas ações, jogos cruéis sobre a vida das pessoas.

Skinner provou de seu veneno (o coitado tem sido um saco de pancadas nessa temporada). Assim como Frank Burst (Vic Polizos). Seu sacrifício foi uma tentativa de não permitir a vitória do criminoso. Em determinado momento, fica claro para todos que algo de muito poderoso havia nas palavras que induziram ao infarto. Talvez o fim tenha sido muito trágico, mas considerando que estamos falando de The X-Files não se pode ter uma vitória sem baixas.

Esse também é considerado um dos episódios mais shippers da série. Desde a insinuação de Modell, sobre o relacionamento de Mulder e Scully quando eles estão de vigia, à perfeita articulação durante as investigações, contando também com a cena em que Mulder se prepara para entrar no hospital e, finalmente, chegando à cena da roleta russa.

Pois é, Pusher poderia ser apenas mais um episódio, mas a cena da roleta russa chega como o clímax de um roteiro que permanece numa crescente constante. Como dito acima, Mulder não está emocional, em quase nenhum momento (mesmo quando descarrega sua energia na sala de tiros), nem mesmo quando está sentado diante de Modell, com uma arma entre eles.

Há que se destacar a atuação dos três atores nessa cena. A tensão permanece alta em todo os diálogos: no desespero de Scully ao perceber do que se trata (destaque para a lágrima que quase não cai), na fragilidade de Modell ao explicar o jogo e também no comportamento robótico de Mulder que apenas se contradiz no seu olhar.

Na verdade, Mulder mostra-se emocional apenas uma vez nesse episódio: quando precisa puxar o gatilho contra Scully. E essa emoção está no olhar. É como se a relação entre eles fosse um freio para a indução de Modell. Talvez ele não tivesse conseguido lutar por muito tempo, mas ao menos foi o suficiente para que ela pudesse raciocinar uma forma de ‘quebrar o feitiço’.

Feitiço esse que não teve sua natureza científica totalmente explicada. Somente podemos deduzir pela suposição de Mulder, de que a doença de Modell estava fazendo por ele o que ações de uma vida inteira não fez: tornando-o especial.

Curiosidade dos Bastidores:

– O Departamento de Práticas e Padrões da Fox não queria aprovar a cena da roleta russa. Chegou a consultar outras emissoras sobre transmitir esse conteúdo em um show. Porém Vince Gilligan (roteirista) sustentou que retirar a cena iria arruinar o roteiro.

– David Grhol, do Foo Fighters (fã assumido da série), e sua esposa participam como figurantes na cena em que Modell está se infiltrando na sede do FBI.

– Na cena de abertura, Modell lê um tablóide que faz referência ao Flukeman, o parasita humanoide que apareceu na segunda temporada.

E agora, fiquem com o promo do próximo episódio:

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