The X-Files 3×21 — Avatar

Avatar explora passado, presente e subjetividade do Diretor Assistente Skinner.

Eu nunca te disse o que eu deveria ter dito … que o que realmente me fez suportar cada dia foi saber que eu estaria dormindo ao seu lado naquela noite. Sabendo que eu tinha uma razão para acordar de manhã. Não tenho certeza se você pode me ouvir agora, ou se faz alguma diferença, mas eu queria que você soubesse disso.” SKINNER, W.

O Diretor Assistente Skinner apareceu em The X-Files como uma incógnita. Primeiro teve ares de vilão, para depois assumir uma postura mais complacente e até amigável com Mulder e Scully. Porém, diante do histórico dos personagens dessa série, fica difícil confiar plenamente em alguém que cala mais do que expõe.

Diferente dos demais coadjuvantes ligados ao FBI ou às outras esferas do Governo, os roteiristas resolveram aprofundar um pouco mais em sua história. O que reafirma sua importância para os dois agentes. Ficamos sabendo um pouco mais sobre o que o trabalho fez à sua vida pessoal (principalmente ao seu casamento). Conhecemos sua esposa e o profundo respeito que fundamenta esse relacionamento (apesar do divórcio iminente).

Não sabemos o que motiva Walter Skinner, mas sabemos que ele é um homem fortemente marcado por todas as situações difíceis que viveu. Em One Breath, ficamos sabendo um pouco mais sobre sua experiência com o paranormal, quando esteve no Vietnã. Quando ele conta, justamente para Mulder (talvez, por saber que não será julgado) sua experiência de quase morte.

Em Avatar temos a certeza do que apenas desconfiávamos. Há um intenso receio por baixo de toda a segurança de empoderamento expressos nos comportamentos do Diretor Assistente. Suas experiências profissionais, muitas vezes cruéis, acabaram refletindo em sua vida pessoal, fazendo com que perdesse coisas importantes (inclusive, uma parte de si mesmo). O fato de ele não lutar pela sua inocência, demonstra uma alma sem esperanças, apática diante de poderes com os quais não pode lutar.

De certa forma, Skinner é como Mulder. Suas convicções refletindo em seu casamento, trazendo um manto de solidão para seus dias. Talvez por isso ele respeite tanto o agente (como afirma sua ex esposa), por identificar-se tanto. Ou por não querer que isso se estenda também para Scully.

Aos poucos, vamos percebendo que Skinner não é vilão, mas um homem íntegro. Característica que o leva a respeitar a busca de Mulder, e coloca-o de encontro às forças obscuras que regem o Bureau, passando a ser perseguido por elas. Tendo suas fraquezas usados contra si próprio, cai na armadilha que envolve sua vida pessoal e sua consciência.

Vamos percebendo que ele é quase um espelho do que Mulder e Scully são. Os iguais se reconhecem, apesar de tudo. Por isso são os dois que o defendem, acreditam que ele seria incapaz de cometer um assassinato a sangue frio. Cada agente, em sua forma de encarar o mundo (Mulder e seus mistérios, Scully e sua ciência) busca algo para justificar uma ação que condena por si só.

Mas, como dito acima, eles se reconhecem e também conhecem o mundo ao redor, com suas armadilhas. Entendem que o silêncio de Skinner não tem a ver com uma reação negativa à eles, mas uma forma de se resguardar diante dos horrores que carrega na memória.

Avatar está longe de ser um episódio memorável de The X-Files, mas serve para envolver Skinner em uma aura de mistério, fazendo com que o público crie, ainda mais, empatia por um personagem, cujo papel de destaque vai crescendo junto à mitologia da série.

Curiosidades dos Bastidores:

– David Duchovny foi co-autor do roteiro desse episódio;

– É a única menção à esposa de Skinner na série.

Avatar, em sânscrito, significa “encarnação humana de uma divindade”.

Segue promo do próximo episódio:

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