Um comparativo entre o Oscar 2015 e Oscar 2016

O que podemos concluir das premiações do Oscar 2015 e 2016.

Cada cerimônia do Oscar tem elementos em comum: tapete vermelho, memes, filmes injustiçados, celebração das novas celebridades hollywoodianas e momentos de consagração. Outro elemento que a maior parte das pessoas esquece é que o Oscar funciona como uma leitura das tendências mundiais da sétima arte. É a academia tentando passar uma mensagem sobre como ela enxerga essa arte que fascina a tantos. Então, se compararmos a cerimônia que aconteceu nesse último domingo dia 28 de fevereiro com o Oscar 2015 o que podemos concluir?

A 87º cerimônia do oscar aconteceu em 22 de fevereiro de 2015 contando com a apresentação de Neil Patrick Harris e teve como grande ganhador da noite o filme Birdman que saiu com 04 prêmios: Melhor filme; melhor diretor, melhor roteiro original e melhor fotografia. Os outros indicados da noite tinham sido: Sniper Americano, Boyhood, O Grande Hotel Budapeste, O Jogo da Imitação, Selma, A Teoria de Tudo e Whiplash.

Já os indicados da cerimônia desse ano foram: A grande aposta, Ponte de Espiões, Brooklyn, Mad Max: Estrada da fúria, Perdido em Marte, O Regresso, O quarto de Jack e Spotlight: segredos revelados. E tivemos como ganhador o filme Spotlight. Isso já nos mostra uma tendência da academia de não fechar os 10 indicados na categoria mais importante da noite e sempre ficar entre 7 ou 8 indicados, assim como esse ano, que também foram 08 indicados apenas.

Outro reflexo dessas indicações é a forte presença de filmes vindos de festivais (Boyhood, Joga da Imitação, Whiplash, O quarto de Jack), no mínimo um representante britânico (Jogo da Imitação, Brooklyn), filmes com temáticas que retratam a realidade estadunidense (Sniper Americano, A Grande Aposta, Ponte de Espiões) e filmes com roteiros com mensagens políticas e/ou sociais (Selma, Birdman, Spotlight).

De um ano para outro, a academia deu mais voz a filmes taxados como comerciais (Mad max, Perdido em Marte, O Regresso), muitos críticos apontaram como uma tendência de voltar aos filmes épicos do passado que eram multipremiados e saiam fazendo a limpa em todas as categorias.

Porém, se relembrarmos os últimos três premiados em melhor filme temos uma tendência inversa: 12 anos de Escravidão, Birdman e Spotlight possuem algo em comum, eles são filmes politizados, que debatem questões importantes e trazem à tona certas discussões. O horror da escravidão, uma crítica ácida sobre o atual momento da indústria do entretenimento ou uma lembrança que talvez não seja o momento para esquecer os casos de pedofilia dentro da Igreja. Os últimos filmes ganhadores do Oscar sempre tem alguma mensagem para passar.

Humildemente, acredito que cada vez mais veremos dois grandes ganhadores da noite do Oscar: um filme mais crítico ganhando a categoria principal, além dos oscars de direção, roteiro e talvez algum oscar de atuação; e um arrasa quarteirão levando todos os prêmios técnicos.

Oscar indicados

Em 2015, os ganhadores na área de atuação foram: Julianne Moore por Para Sempre Alice, reconhecendo dessa forma uma atriz sempre esnobada; Eddie Redmayne por A Teoria de Tudo, apostando em uma nova carreira promissora; Patricia Arquette por Boyhood e J.K. Simons por Whiplash, ambos atores veteranos, que por circunstâncias não tiveram papéis bons suficientes para que eles brilhassem no passado.

Esse ano tivemos Leonardo DiCaprio por O Regresso, como o ator sempre esnobado em outros momentos pela academia; Brie Larson por O Quarto de Jack e Alicia Vikander por A Garota Dinamarquesa, sendo ambas apostas promissoras; e Mark Rylance por Ponte de Espiões, como ator veterano que não teve chance de brilhar.

É evidente que passamos por mais um ano sem que atores negros, orientais, latinos e estrangeiros fossem premiados. Isso não significa que a academia é racista, isso apenas traduz algo que Viola Davis falou durante o último Emmy: não há como um ator de determinada etnia ganhar qualquer prêmio, se não são feitos papéis para eles brilharem.

O grande ganhador técnico de 2016 foi Mad Max: Estrada da Fúria que ganhou 6 Oscars nas categorias de montagem, direção de arte, maquiagem, figurino, mixagem de som e edição de som. Em 2015, O Grande hotel Budapeste saiu com 4 prêmios técnicos na mão: maquiagem, direção de arte, figurino e trilha sonora mostrando uma preocupação da academia em premiar filmes milimetricamente planejados na área técnica e que arrebatam visualmente seus respectivos públicos.

Em 2015, a academia não teve coragem de premiar Os Boxtrolls ou O conto da Princesa Kaguya, e preferiu ficar na zona de conforto que é associar animação com filme infantil e premiou Operação Big hero. 2016 não tinha como não premiar Divertida mente e toda sua construção sobre as emoções de uma garotinha. O menino e o mundo e As Memórias de Marnie são ótimos, porém a Pixar entregou uma produção que já entrou para a história do cinema.

A premiação da canção Glory do filme Selma foi uma forma da academia laurear uma canção que possui uma mensagem social, esse ano muitos pensaram que a academia iria repetir o feito ao premiar a canção de Lady Gaga. Todavia, a academia preferiu dar prestígio ao mais recente filme do agente 007 e premiá-lo com um Oscar de canção. Às vezes, parece que a academia está em dívida com os filmes de James Bond, pelo fato de sempre ter esnobado as lindas canções dos filmes da série no passado.

O Oscar é sempre assim, justiças, zebras, surpresas, requinte, uma plataforma para carreiras, um conjunto de mensagens sobre a indústria cinematográfica, entre tantas coisas. Podemos banalizá-lo com memes na internet, podemos dizer que ele não premia o que verdadeiramente há de bom no cinema, podemos concordar com todos os prêmios, mas o certo é que todos estaremos aqui no próximo ano acompanhando mais uma premiação e falando sobre o mesmo.

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