Um mergulho assustador em Águas Rasas

Novo filme de Blake Lively e Jaume Collet-Serra, Águas Rasas revela ser umas das grandes surpresas do ano.

Filmes com tubarões sempre despertaram o interesse de grande parte do público e principalmente de Hollywood, que durante alguns períodos lançavam algum filme envolvendo essa criatura tão assustadora dos mares. Um dos longas mais recordados é o clássico Tubarão, depois dele vieram suas sequencias bastante inferiores, passando pelo eficiente Do Fundo do Mar e até chegar nas bizarrices de Terror na Água e a série de filmes da Syfy, Sharknado. Mas eis que em 2016 somos surpreendidos de uma maneira tão positiva com a chegada de Águas Rasas, suspense que dá um novo gás para produções do gênero.

A trama é bastante simples, acompanhamos a surfista Nancy (Blake Lively) que encontra uma praia paradisíaca que fora visitada por sua mãe na gravidez, na costa de Tijuana. Enquanto pratica suas manobras nas belas ondas do mar, sofre um repentino ataque de um tubarão branco que a encurrala para uma rocha. Enquanto trata de seus ferimentos, Nancy precisa bolar um jeito de voltar à praia e despistar seu perseguidor.

Apesar de ter uma premissa bastante limitada e que acaba exigindo muito mais tanto de seus diretor quanto de seu elenco, aqui no caso da atriz, tudo é acertado em parceria. Começando pela direção de Jaume Collet-Serra, que em seu currículo tem os ótimos suspenses A Órfã, Desconhecido e Sem Escalas, além de ter dirigido o mediano A Casa de Cera e o fraco Noite sem Fim, vem mostrando ser um ótimo diretor em termos de terror/suspense dos últimos anos. O diretor espanhol traz sempre uma novidade na maneira de contar seus filmes e aqui não é diferente. Optando pelo uso de smarthphones e multicâmeras, somos contemplados por diversas cenas onde Nancy está em uma videochamada de celular ou trocando alguma mensagem; o diretor opta por trazer elaboradas tomadas onde a imagem de celular é projetada ao lado da atriz, como por exemplo na cena onde vemos apenas os pés de Nancy quando caminha pela praia enquanto conversa com seu pai.

Talvez o único “pecado” mesmo cometido por Jaume é o uso excessivo de câmera lenta durante o filme, a primeira parte principalmente, já que fica aquela sensação que estamos acompanhando um comercial de algum canal de surf do que propriamente a primeira parte de um longa de suspense. Esse primeiro ato também apresenta o maior desafio do roteirista Anthony Jaswinski que traz mais dificuldade, talvez pelos diálogos fracos ou por uma demora na ação do filme, transforma os minutos iniciais em uma apresentação meio lenta.

Blake Lively nos entrega sem sombra de dúvidas a atuação da sua carreira. Deixando de lado sua eterna Serena Van Der Woodsen, a atriz consegue mostrar seu lado mais forte em uma atuação que exige muito de sua performance, tanto física quanto expressiva, principalmente naquelas que não envolvem nenhum diálogo.

A atriz consegue se sair muito bem e Jaume deposita em Blake uma confiança, que acaba rendendo uma ótima cena onde a personagem testemunha o ataque brutal do tubarão. Outro destaque vale pela gaivota Sully (SIM! Ela está nos créditos do filme), as duas criam uma amizade muito leal e bonita, além de deixar o público todo torcendo para que ela não seja devorada.

Falando agora sobre o tubarão digital, talvez ele seja um dos mais assustadores depois do Spilberg, é impossível não ficar apreensível e angustiado toda vez que temos uma cena de mergulho ou nas tentativas de fuga de Nancy.

Apesar de ter só 87 min, Águas Rasas nos entrega uma das experiências mais satisfatórias do ano, onde tudo caminha em conjunto: direção, elenco e clima. Preparem-se para ter momentos intensos de pânico e agonia em um dos melhores suspenses desse ano.

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