Uma nova Gwen Stefani em This Is What the Truth Feels Like

Dez anos de hiato influenciaram a produção do novo álbum da cantora.

O mundo da música mudou bastante desde 2006. Artistas surgiram e desapareceram na mesma velocidade, alguns já conhecidos seguiram o mesmo caminho, e outros foram do nada direto para o topo e lá permanecem até hoje.

2006 foi o ano em que Gwen Stefani lançou seu, até então, último álbum. Só agora, depois de uma década deixando os fãs órfãos, finalmente chegou This Is What the Truth Feels Like, seu novo CD.

Nesse meio tempo houve um comeback do No Doubt, o fim de um casamento, um bico como jurada de reality musical e um novo namoro. Tudo isso está refletido nas letras desse álbum, como você pode conferir agora no faixa a faixa.

Gwen Stefani lança Make Me love You, música que fará parte do novo álbum This Is What The Truth Feels Like.

1. Misery: A música que abre o CD não traz nenhuma novidade e também não é nada memorável. Um popzinho comum, com um refrão que você pode se pegar cantando no meio do dia mais por conta da fórmula chiclete do que por sua qualidade musical.

2. You’re My Favorite: Com menos de três minutos de duração e uma produção um pouco melhor que a anterior, essa canção dá a sensação de que termina antes do que devia, o que pode ser um ponto positivo, melhor do que pecar pelo excesso.

3. Where Would I Be?: A pegada reggae misturada a batidas pop logo no início já remetem imediatamente ao som do No Doubt. O break lá perto do final lembra também o sucesso Hollaback Girl, do primeiro disco solo da Gwen. A mistura funciona, é a melhor música da tracklist até agora.

4. Make Me Like You: O segundo single oficial do CD é mais uma que não tenta revolucionar o mundo da música, mas não deixa de ser gostosa de ouvir. Despretensiosa, a letra reflete a situação atual da cantora, que já afirmou ter sido inspirada pelo seu relacionamento atual, com o cantor Blake Shelton.

5. Truth: Mais uma música aparentemente inspirada em seu romance com Blake, principalmente no trecho em que Gwen canta “obrigada por me salvar”, visto o sofrimento passado por ela após o fim do casamento de anos com Gavin Rossdale. Com o nome do CD tendo sido tirado do refrão daqui, a canção deveria ser o centro do álbum, o que definitivamente não é.

6. Used To Love You: A primeira baladinha da tracklist serviu como primeiro single oficial do CD, surpreendendo a todos. Após algumas tentativas frustradas de comeback, com músicas de mais apelo comercial mas sem nenhum retorno do público, esta conseguiu posições melhores em plataformas como o iTunes, tendo, sem dúvida, impulsionado finalmente o lançamento do álbum.

7. Send Me a Picture: As batidinhas com clima de verão merecem um clipe na praia com coreografia fácil. Tem cara de single, ainda mais com este nome sugestivo em tempos em que a moda é enviar nudes, rs.

8. Red Flag: Aqui a vibe do álbum muda totalmente. Produções mais comuns dão lugar a uma pegada mais hip hop, remetendo aos antigos sucessos da Gwen, ainda que de forma mais inferior.

9. Asking 4 It: A pegada hip-hop segue aqui de forma ainda mais descarada, com a participação do rapper Fetty Wap, do hit Trap Queen. Infelizmente, as batidas genéricas dão a impressão de que você já ouviu essa música antes.

10. Naughty: O começo promissor, com um instrumental em crescente, acaba culminando num refrão decepcionante. O resto todo da música é muito mais interessante.

11. Me Without You: Mais batidas genéricas, mas aqui acompanhadas de uma segunda voz que lembra bastante canções R&B do início dos anos 2000. Se destaca em meio a músicas fracas.

12. Rare: O instrumental limpo e radiofônico pode transformar essa em mais um single. É a primeira canção do CD em que os sintetizadores eletrônicos ficam mais em evidência.

13. Rocket Ship: Primeira das quatro músicas presentes apenas na versão deluxe do álbum, no primeiro minuto já se mostra melhor do que metade da tracklist oficial. Não que isso seja grande coisa.

14. Getting Warmer: Enquanto o começo do CD é mais clean e orgânico, as escolhidas para o final pesam um pouco mais a mão nas batidas eletrônicas. Aqui isso fica bem claro.

15. Obsessed: Talvez a música mais pop do álbum, mas não no bom sentido. Parece ser qualquer coisa descartada pela Charlie XCX, não algo que se espere de alguém como a Gwen.

16. Splash: Uma bônus track que está exatamente onde deveria: sendo apenas bônus. Letra fraca, produção mais ainda. Totalmente esquecível.

17. Loveable: Vocais interessantes, mas não suficientes para salvar a canção. Outra que está no lugar certo sendo apenas bônus.

18. War Paint: Música presente apenas na versão japonesa do álbum, tem a produção mais diferente do resto da tracklist. O começo lembra alguma coisa da Shakira, mas a mistura de instrumentos ao longo dos quase quatro minutos acaba confundindo um pouco.

Quando estava no auge durante sua carreira solo, Gwen Stefani se destacava por ditar o que seria tendência dali pra frente. Isso definitivamente não acontece com este novo lançamento. Talvez por ter ficado tanto tempo longe da música pop ou por conta de todas as mudanças em sua vida pessoal, as prioridades da cantora parecem ter mudado.

Curiosamente, a previsão é de que este seja seu primeiro álbum a estrear em primeiro lugar na Billboard. Reflexo de uma época carente de artistas pop de qualidade? Pode ser. Mas se trabalhado de maneira correta, com as escolhas certas de single, ignorando as várias canções fillers, pode render alguns hits, mesmo que nada comparados a antigos sucessos como Rich Girl ou The Sweet Escape.

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