Undertale, o conto em forma de jogo.

Grande surpresa lançada no ano passado, Undertale homenageia clássicos e repensa a forma como jogamos RPG.

Após uma boa refeição, eu gosto de deitar no chão e me sentir um lixo…” — Napstablook

Por anos jogos como Final Fantasy e seus similares têm revisado a mesma fórmula de batalha, mas nunca a reinventado a ponto de aplicar consequências por cada morte. Você ainda precisa reunir pontos de experiência como forma de ficar mais forte até que o chefe final seja destruído. Em qualquer RPG, batalhar é intrínseco às mecânicas do jogo. Além de se tornar boa parte da experiência do jogador com o game, é através da luta contra oponentes que se torna possível avançar nele.

Subverter esse estado de batalha obrigatória parecia impossível de ser realizado até a chegada de Undertale, o RPG em que você não precisa matar ninguém (palavras do próprio jogo). Inspirado esteticamente em Earthbound, um clássico do Snes, o jogo traz simplicidade e astúcia para suas mecânicas, proporcionando diversão e senso de responsabilidade pelas ações tomadas nele, principalmente nas etapas de combate.

Em Undertale, você controla um humano que acaba caindo no mundo dos monstros e precisa achar uma forma de sair de lá vivo. A premissa é simples, mas esse é um traço característico do jogo que também abrange seus gráficos, menus e cenários. Isso acontece porque o jogo permite que o complicado seja o mais importante: a responsabilidade pelas ações do jogador.

Eliminar um monstro traz consequências para a narrativa de seu personagem. Undertale é autoconsciente das ações do jogador e responde a ela adaptando diálogos que tornam o enredo mais vivo. Além de demonstrar o poder de sua narrativa, o jogo proporciona imersão e a sensação de envolvimento.

Undertale sistema de batalha

É por tornar desnecessária a evolução do personagem que Undertale quebra o paradigma do sistema de batalha dos RPGs. O que não significa que seja inevitável entrar em combate, mas o jogo proporciona uma forma de fazer você sair dele de maneira não violenta. E é aí onde o jogo mostra seu brilho.

Através de diálogos dentro das batalhas o jogador e os monstros se envolvem em situações que tornam o enredo cada vez mais denso e o jogo mais vibrante. Undertale desenvolve um estilo único de proporcionar desenvolvimento dos personagens ao fazer com que os combates façam parte da história também.

Isso não significa que o jogador que decidir bancar o genocida não terá uma experiência única. O sistema de batalha é inteligente e engana quem o vê pela primeira vez devido a sua aparência arcaica. Na verdade, ele é intuitivo e dinâmico tornando tanto o ato de batalha quando o de misericórdia experiências imersivas.

Fora delas, o mundo dos monstros também é cheio de vida, com personagens transbordando humor e personalidade sem parecerem pedantes ou que implorem para que você goste deles. Isso traz ainda mais peso para suas decisões sobre matar ou não os cidadãos daquele lugar, afinal, você compreende que ambos os lados possuem motivações, mas fica seu cargo decidir como solucionar a situação. E a boa escrita de Undertale invoca simpatia até pela mais horrenda das criaturas.

Outro aspecto pelo qual Undertale merece ser notado é sua música. Reminiscente de jogos de 8 e 18 bits, a música do jogo é tanto retrô como moderna e fará você se lembrar de diversos clássicos dos games.

Undertale sucede onde grandes RPG’s apostam na mesmice. No lugar de gráficos realistas e efeitos cheios de luz, simplicidade e minimalismo se tornam formas de quebrar as barreiras com o jogador e as mecânicas consagradas dos jogos do gênero. Acima de tudo, Undertale é um jogo abrangente que não subestima a capacidade de raciocínio enquanto oferece reviravoltas que alimentam a curiosidade.

Como muitos jogos indies, Undertale bebe da fonte de grandes clássicos e os honra ao não se ater a uma homenagem, mas por expandir o gênero de uma forma que faz com que repensemos a forma como experimentarmos RPG’s.

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