Veja 8 aberturas de novelas inesquecíveis — Parte 1

Elas são um show à parte e são tão aguardadas quanto a história de suas novelas. Nesta primeira parte, o BOXPOP listou 8 aberturas de novelas inesquecíveis, indo dos anos 80 ao 90.

As aberturas de novelas já são uma tradição na TV no Brasil. Isso acontece muito devido ao trabalho do designer austríaco Hans Donner, que entrou na Globo em 1975 e lá encontrou a chance de realizar as suas mais inventivas ideias para retratar a história que vai ser contada por uma novela, passando para o espectador tudo aquilo que está por vir, além de traduzir visualmente — e também por meio de seu tema musical — toda a proposta estética e conceito audiovisual pensado pelos realizadores da novela, seu autor e diretor artístico, valendo-se, inclusive, de referências de outras artes, como o cinema e as artes plásticas.

Hans Donner

Embora hoje, esteja como “design lab” ou consultor, apenas identificando tendências, inspirando talentos ou supervisionando os trabalhos referentes à marca Globo, Hans Donner foi o responsável pela produção de aberturas e vinhetas de novelas e programas que ficaram na cabeça de muita gente, abusando de computação gráfica e dos mais modernos recursos — em alguns casos, muita criatividade, como em Ti-Ti-Ti (1985–1986).

Como listar todas essas aberturas não é uma tarefa nada fácil, o BOXPOP faz agora uma lista especial, dividida em duas partes.

Nesta primeira parte, vamos revisitar 8 aberturas de novelas inesquecíveis dos anos 80 e 90, que compreendem a era de ouro do mago Hans Donner. Confira!

Roque Santeiro (1985–1986)

Roque Santeiro teve uma das aberturas mais marcantes na cabeça da comunidade noveleira. Idealizada por Hans Donner, boias-frias, carros e tratores andavam livremente sobre folhas, milhos, frutas e rochas gigantes.

Isso acontecia devido ao uso de chroma key (fundo verde ou azul, usado em algumas produções, para permitir que uma imagem captada por uma câmera possa ser inserida sob outra imagem, como se uma fosse o primeiro plano ou fundo da outra).

Para a produção da abertura, foram usadas miniaturas de carros, Kombi e caminhões sobre uma vitória-régia natural; assim como, uma motocicleta andando sobre um coco e até um carro de boi trafegando sobre uma espiga de milho.

Ti-Ti-Ti (1985–1986)

Outra preciosidade de Hans Donner. Para trazer a rivalidade entre André Spina/Jacques Léclair (Reginaldo Faria) e Ariclenes Martins/Victor Valentim), que passa de uma mera disputa da juventude para o mundo profissional da moda, tesouras, lapiseiras e fitas métricas gigantes, feitas de borracha e metal, ganhavam vida na telinha: as fitas rodavam sobre o papel, as lapiseiras desenhavam vestidos femininos e as tesouras cortavam sedas e cetins.

Segundo Hans Donner, não foi usado nada de computação gráfica! Para se atingir o efeito desejado, tudo era comandado por manipuladores que usavam ímãs, conduítes de metal e arames. A música Ti-Ti-Ti, escrita por Rita Lee e Roberto de Carvalho, foi interpretada pelo grupo Metrô.

O remake da novela, escrito por Maria Adelaide Amaral, tinha muitas referências pop, tanto à obra de Cassiano Gabus Mendes, quanto a outras novelas e ao universo televisivo, que sempre vinham à tona nos diálogos dos personagens. É claro que não poderia faltar um remake da clássica abertura original, com tesouras, agulhas e linhas brigando ao som da mesma canção — agora na voz de sua compositora, Rita Lee -; porém inteiramente feita por computação gráfica.

A Gata Comeu (1985)

Novela que estará em outubro na programação do Viva, substituindo Mulheres de Areia, A Gata Comeu formou uma tríade de sucesso junto com Roque Santeiro e Ti-Ti-Ti na década de 80

Para retratar a história de gato e rato, que se transforma numa fulminante história de amor entre Jô Penteado (Christiane Torloni) e Fábio (Nuno Leal Maia), a abertura da novela se valia de uma gata sendo expulsa de casa pelo seu suposto dono, mas que insiste em voltar para atazanar sua vida. Tudo isso em um colorido embalado pela música Comeu, de Caetano Veloso, interpretada pelo grupo Magazine.

O ator que contracena com a gata é Breno Moroni, que fez o personagem Mascarado em A Viagem (1994), outra novela de Ivani Ribeiro.

Brega & Chique (1987)

A abertura de Brega & Chique é até hoje lembrada por polêmica! O modelo Vinícius Manne aparecia com a bunda de fora ao som de Pelado, da banda Ultrage a Rigor. Inicialmente, a Censura Federal exigiu que a nudez fosse coberta por uma folha de parreira. No segundo dia de exibição, foi colada uma folha sobre a poupança do modelo, de forma a resolver o problema. Porém, isso não foi o suficiente: a Censura exigiu que o tamanho da folha fosse aumentado. Após negociações, a versão original foi liberada.

Tieta (1989)

Assim como a novela, livremente inspirada na obra de Jorge Amado, a abertura da novela misturava elementos da natureza com a beleza feminina, encarnada pela então modelo Isadora Ribeiro.

Atrás da modelo, como fundo, foram usadas fotografias do litoral de Mangue Seco, aldeia do norte da Bahia. No primeiro plano, Isadora Ribeiro aparecia nua e coberta por uma penumbra. Com recursos de computação gráfica, pedras, árvores e folhas contorciam-se, dando forma ao corpo da modelo. O nome da novela aparecia, então, escrito na areia da praia. Todo o processo foi gravado em estúdio, em um tanque iluminado artificialmente para simular a claridade provocada pela luz do sol.

Rainha da Sucata (1990)

Novela que marcou a estreia de Silvio de Abreu no horário nobre, Rainha da Sucata tinha uma abertura que mostrava uma boneca de sucata, confeccionada pela equipe de Hans Donner com baldes, molas, ventilador, ferro e uma tábua de passar roupas. A boneca dançava lambada com bailarinos reais, ao som de Me Chama que Eu Vou, de Sidney Magal, música que virou hit e consagrou a lambada no país.

Deus nos Acuda (1992–1993)

A abertura de Deus nos Acuda é mais um clássico produzido por Hans Donner e equipe. Ela satiriza a corrupção no Brasil, já que o anjo Celestina (Dercy Gonçalves), responsável pelo Brasil, incubida de tornar um cidadão brasileiro mais honesto, digno e solidário — a escolhida foi a trambiqueira Maria Escandalosa (Claudia Raia).

Para isso, a abertura mostra um salão em que acontece uma festa da alta sociedade sendo invadido por um mar de lama.

O set de gravação foi construído como uma gaiola suspensa sobre uma piscina, com o chão feito de arame vazado para permitir que a lama — feita de isopor ralado, anilina e álcool — cobrisse os convidados à medida que o cenário era mergulhado na piscina. Em seguida, por computação gráfica, uma espécie de rodamoinho misturava o salão a aviões, iates e lanchas, e tudo era escoado por um ralo, que ao final, revelava ser o contorno do mapa do Brasil, mostrando que o país que desce pelo ralo, na realidade, é um tanque em forma de Brasil, com água marrom descendo até o fundo.

Cinco câmeras foram necessárias para a gravação, já que três precisavam ser presas nas paredes do cenário, descendo assim junto com ele; uma no teto, registrando a cena de um ângulo de cima para baixo, e outra sobre uma plataforma de isopor, que ia passeando entre os convidados. Cada descida da gaiola durava em torno de 17 segundos. A cena só podia ser gravada uma vez ao dia, porque as roupas dos modelos tinham que ser lavadas a cada gravação.

A Indomada (1997)

A abertura da novela mostrava a atriz Maria Fernanda Cândido, de vestido vermelho, correndo por uma terra árida. À medida que surgiam barreiras metálicas e labirintos de ferro que surgiam em seu caminho, seu corpo se transformava em labaredas, água e pedra, brotando um canavial e florescendo belas paisagens.

Quais aberturas de novelas você mais gostou? Não perca a continuação desta lista, com outras vinhetas que marcaram época. Até a próxima semana!

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