Veja 8 aberturas de novelas inesquecíveis — Parte 2

A segunda parte do nosso especial traz 8 aberturas de novelas inesquecíveis, a partir dos anos 2000.

Na primeira parte do nosso especial, o BOXPOP listou 8 aberturas de novelas inesquecíveis dos anos 80 e 90, verdadeiros clássicos, sendo emblemáticas até hoje quando o assunto é vinheta de abertura de novela.

Sabendo da dificuldade dessa tarefa, já que podem chamar atenção, além dos personagens e das histórias, na segunda parte, continuamos relembrando 8 aberturas de novelas inesquecíveis, que marcaram as décadas de 2000 e de 2010. Confira!

Uga Uga (2000–2001)

Uma revista em quadrinhos é folheada, e ao passar de páginas, a história de Tatuapu (Cláudio Heinrich) é revelada. Ela foi criada pelo artista plástico Gustavo Garnier, então assistente de Hans Donner, por meio de uma técnica que funde imagens fotográficas e ilustrações: os desenhos foram feitos à mão e registrados por uma câmera virtual que percorria as páginas de um gibi.

Até mesmo os créditos da novela faziam parte do gibi, inseridos em quadrados brancos.

O Clone (2001–2002)

Floriano Nogueira, bailarino escolhido por Hans Donner justamente por sua desenvoltura ao se movimentar — remetendo às “dunas” que faziam parte do deserto árabe, segundo o mago austríaco das aberturas — participou da vinheta de O Clone, fazendo uma coreografia especial durante horas para dar vida a um homem que se duplica na tela, por meio de efeitos visuais — um espelho chegou a ser adaptado em um dos televisores de monitoração para que a equipe responsável já tivesse uma ideia do resultado final.

Na frente de um fundo azul, o chroma key, que possibilitou a inserção outras imagens durante a pós-produção, Floriano sentou em um selim de bicicleta, adaptado para que o modelo pudesse se movimentar da forma mais confortável possível, parecendo que flutuava pelo ar. A intenção de Hans Donner era transmitir a ideia de que o homem pode estar solto em uma galáxia ou no interior do corpo humano, como se fosse um embrião que voa pelo espaço.

O Beijo do Vampiro (2002–2003)

O Beijo do Vampiro marcou as crianças que ficavam ligadinhas no horário das 19h para não perder um capítulo da história de amor entre Bóris (Tarcísio Meira) e Cecília (Flávia Alessandra) neste universo de vampiros, 11 anos após o sucesso de Vamp (1991), também de Antonio Calmon.

Como a direção de arte da novela utilizou livros sobre bruxaria, góticos e fimes sobre a Idade Média para confecção de figurinos e construção de cenários, além de contar com muitos efeitos visuais que dessem conta da transformação dos vampiros, a abertura não poderia ficar de fora desse universo pop. Logo, a vinheta é uma animação ao som de Blue Moon, de The Marcels.

Senhora do Destino (2004–2005)

Embalada por Encontros e Despedidas, na voz de Maria Rita, a abertura de Senhora do Destino sintetizava o tema sobre o qual Aguinaldo Silva arquitetou sua novela: a migração nordestina para o sudeste. Como o autor usou de referências biográficas para compor a protagonista Maria do Carmo Ferreira da Silva (Susana Vieira), trazendo um pouco do período da ditadura, já que passou 70 dias preso na Ilha das Flores, ele presta uma homenagem aos retirantes, mostrando a trajetória de sucesso de Maria do Carmo, que apesar de enfrentar uma série de dificuldades, como o roubo de sua filha Lindalva (Carolina Dieckmann) por Nazaré, vence na vida com ética, coragem e muito trabalho.

Dessa forma, para marcar as escolhas, bem como as idas e vindas do tempo, diversas pessoas aparecem em meio aos personagens principais da trama, marcando os encontros que qualquer pessoa tem nas diversas fases de sua vida, em que algumas passam e são transitórias, enquanto outras são mais duradouras e permanecem.

A Favorita (2007–2008)

A abertura de A Favorita resume muito bem por meio de uma animação a rivalidade entre Flora e Donatela, antigas parceiras da dupla sertaneja Faísca e Espoleta, que disputaram o amor do mesmo homem, Marcelo Fontini (Flavio Tolezani), um dos donos do império de papel e celulose, a Fontini. Após cumprir uma pena de 18 anos de reclusão pelo assassinato do amante, marido de Donatela, Flora deixa a prisão, disposta a provar a sua inocência, acusando a ex-parceira de ter cometido o crime, e a se reaproximar da filha Lara (Mariana Ximenes), criada pela rival e fruto do relacionamento com Marcelo.

Uma das curiosidades sobre a produção dessa vinheta é que Ricardo Waddington e o próprio autor, João Emanuel Carneiro, acompanharam de perto os trabalhos. JEC fez também o roteiro para a história contada durante a abertura, que teve as imagens inspiradas nos filmes dos anos 40 e 50, sendo releituras eletrônicas de cartazes dos filmes dessas décadas, que eram em preto e branco, chapados e com figuras recortadas. Além disso, a divisão de tela em vários momentos da abertura demarca a dualidade e a disputa que as protagonistas embatem o tempo inteiro ao longo da novela, até mesmo o público, quando JEC propôs a indefinição sobre os papéis de vilã e mocinha da história.

O tema de abertura foi a música Pa’ Baillar, da banda de tango eletrônico uruguaia/argentina Bajofondo, que casou e acentuou o clima de rivalidade proposto pela peça audiovisual, fazendo com que abertura tivesse mesmo o espírito da novela.

Cama de Gato (2009–2010)

Cama de Gato teve a participação de atletas correndo, pulando e fazendo abocracias, sobre um fundo verde de chroma key — o qual foi inserido um cenário virtual -; como se fossem “gatos”, de acordo com Hans Donner.

Para isso, cada atleta foi gravado individualmente, e durante a pós-produção, por meio da composição de cenas simultâneas, além da inserção de linhas virtuais, houve a junção de cada um deles, como se estivessem todos envolvidos por uma “cama de gato”, que representaria os altos e baixos: as lutas, as vitórias e as derrotas que qualquer ser humano passa em sua vida.

Passione (2010–2011)

A abertura de Passione teve obras produzidas pelo artista plástico Vik Muniz, especialmente para ela.

Vik Muniz é um paulistano radicado em Nova York e reconhecido pelo seu trabalho com fotografias, que na maioria das vezes, são reproduções de obras de arte reconhecidas, recriando a partir de materiais diversos como papeis perfurados, algodão, recortes de revistas, chocolate líquido, açúcar ou poeira.

Para a abertura de Passione, o artista desenvolveu 3 obras de arte feitas com cerca de 4,5 toneladas de lixo, durante dois meses em um ateliê que ainda mantém no Brasil, a partir das fotos de Cristiane Machado e de um casal se beijando. A novela teve a reciclagem como um dos assuntos aberdados, por meio da história de Olavo (Francisco Cuoco), um milionário dono de uma empresa de reciclagem, conhecido como “o rei do lixo”.

No ano de realização da novela, o trabalho de Vik Muniz com catadores de material reciclável em um dos maiores aterros controlados do mundo, no Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, foi tema do documentário Lixo Extraordinário, premiado em festivais e indicado ao Oscar 2011 para melhor documentário.

A vinheta de abertura teve um tema musical exclusivamente composto por Lenine, Aquilo que Dá no Coração, expediente que não se vê mais na Globo há tempos.

Avenida Brasil (2012)

A abertura de Avenida Brasil é um verdadeiro clipe dançante ao som de Vem Dançar com Tudo, na voz de Robson Moura e Lino Krizz, que bombou junto com a novela no país.

Assim como os moradores do fictício bairro do Divino dançavam o charme, o ritmo musical também embalou 135 dançarinos, que requebraram em uma simulação à noite da Avenida Brasil, que liga as zonas Sul e Norte, no Rio de Janeiro, ao misturar uma movimentada avenida, iluminada por carros e sinais de trânsitos — que davam o tom da gravação noturna, com diversas luzes preparadas pelo diretor de fotografia Joel Lopes, retratando dia, tarde e noite da real avenida carioca -; além de contar com uma passarela, que por vezes se confunde: pode tanto parecer uma passarela da Avenida Brasil, quanto com uma passarela em uma balada.

Segundo Alexandre Pit Ribeiro, diretor de criação da vinheta, a abertura era um convite ao espectador para que dançasse com os personagens da novela.

Gostou das aberturas que nós listamos neste especial? São tantas as aberturas que merecem ser lembradas, que muitas ainda ficaram de fora, como Dancin’Days (1978); Brilhante (1981–1982); Elas por Elas (1982); Selva de Pedra (1986); Salomé (1991); O Dono do Mundo (1991); Cabocla (2004); Chocolate com Pimenta (2003); Bang Bang (2005) — já falamos dela aqui -; Cheias de Charme (2012) e Amor à Vida (2013–2014). Deixe seus comentários e continue a nossa conversa. Até a próxima coluna!

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